Inovação em embalagens é trunfo das marcas do futuro

Indaiá Pasotti Sanchez (*)

Quem está no ramo de embalagens precisa projetar o futuro para oferecer alternativas de inovação que se revertam em satisfação do consumidor final.

E isso vale tanto para os setores de food service quanto cosméticos, higiene e varejo em geral, num movimento que, de acordo com a Associação Brasileira de Embalagens (Abre) pode alavancar o setor em 1,6% até 2024. Enquanto isso, os donos de marcas investem milhões na circularidade de embalagens, algo que é exigido pelo consumidor final e pela própria legislação.

Para chegar lá, quanto mais o fabricante da matéria-prima e o projetista de embalagens conhecerem as necessidades do end user, melhor. Esse contato próximo será a base para que o time de P&D possa trazer avanços e melhorias reais à experiência do usuário. Isso porque, antes de um lançamento chegar ao público, são necessários anos de pesquisa e preparo, afinados aos anseios e vontades desse consumidor que hoje é muito mais exigente, principalmente depois da pandemia.

Eles incluem maior sustentabilidade, praticidade e economia de recursos. Foi no período de isolamento que entendemos a quantidade de lixo que realmente geramos e passamos a questionar o destino desse resíduo. Como consumidora, quero saber o que vai ser feito com a embalagem de shampoo que eu uso, de creme dental e outros itens de difícil reciclagem.

E a pergunta aos profissionais de pesquisa e inovação é: será que não podemos ter embalagens mais simples que entrem para a cadeia de reuso mais facilmente?
Se pensamos numa alternativa biodegradável como o papel, ele pode ser desenvolvido em gramaturas adequadas para embalar qualquer coisa – com a aplicação da devida barreira, é claro!

Para embalar alimentos, sabemos que a umidade e gordura representam desafios de proteção, por isso, a indústria investe pesado para resolver o problema com barreira biodegradáveis, ou seja, que eliminem o tradicional plástico. Aqui entra também a tecnologia de repolpagem, que envolve pesquisas avançadas que têm se mostrado uma alternativa viável para a embalagem do futuro.

No ramo de cosméticos, existem ainda exigências de legislação para evitar contaminações aos produtos envasados, visto que se trata de produtos utilizados diretamente sobre a pele. Com isso, as restrições se tornam mais rigorosas. Para as empresas do ramo de embalagens, a ideia de base é estar sempre à frente com inovação, de forma a trazer insights para os donos de marca.

O mercado está tão atento a isso que tem premiado cases de embalagem com foco em sustentabilidade, como o Prêmio Nacional de Inovação e Prêmio Abre, entre outros. Com criatividade, inovação e dedicação de todos os players, da indústria ao consumidor, podemos sim imaginar um mundo sem lixo e mais sustentável.

(*) – É especialista em engenharia de embalagens pelo Instituto Mauá de Tecnologia e especialista de produtos R&D da Ibema.

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