Impacto da migração para nuvem será duradouro

Graci de Melo (*)

O COVID-19 e a instabilidade da economia exigiram foco em prioridades estratégicas.

Nos negócios, essa crise tem impulsionado tecnologias que permitem às empresas responderem com mais velocidade às novas circunstâncias do mercado. De acordo com o Gartner, os investimentos globais com serviços de nuvem pública aumentarão 18,4% em 2021, para US$ 304,9 bilhões, ante US$ 257,5 bilhões no ano passado. Em 2024, a expectativa é que os gastos com nuvem representem 14,2% do mercado de TI, ante 9,1% em 2020.

A migração de data centers para projetos multicloud, já era uma realidade no Brasil nos últimos anos e companhias com grandes volumes de dados e arquiteturas complexas já seguiam esse caminho, ou planejavam fazê-lo, antes da crise sanitária. Porém, segundo o próprio Gartner, “a pandemia validou a proposta de valor da nuvem.

A possibilidade de usá-la sob demanda, os modelos escalonáveis para obter eficiência de custos e a continuidade das rotinas de trabalho estão dando ainda mais fôlego para que as organizações acelerem seus planos de transformação digital. O aumento do uso de serviços de nuvem pública reforçou a sua adoção como sendo o novo normal, agora mais do que nunca”.

De fato, as empresas aumentaram significativamente seus investimentos em computação em nuvem durante a pandemia. Relatório do IDC divulgado recentemente destacou que os gastos com infraestrutura de TI em nuvem pública aumentaram 13,1% no terceiro trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior, batendo US$ 13,3 bilhões. As empresas gastaram US$ 5 bilhões em infraestrutura de nuvem privada no terceiro trimestre, um aumento de 0,6%.

As demandas geradas pela pandemia fizeram com que empresas que tinham seus bancos de dados totalmente on-premise, com enormes volumes de dados e cargas de trabalho migrassem sua estrutura para a nuvem de olho em eficiência e otimização de custos, com a possibilidade de pagarem somente pelos recursos sob demanda. A utilização de nuvem híbrida permite que as empresas implementem aplicações e novos serviços com muito mais velocidade e escalabilidade, tornando-as mais eficientes operacionalmente.

Esse investimento tornou-se muito conveniente por atender às prioridades das empresas nesse momento, como maior agilidade e eficiência das operações, além de dar suporte para que os funcionários possam trabalhar remotamente, garantindo a resiliência para o enfrentamento dos novos tempos.

Este modelo deixa as empresas com maior liberdade de investimento, principalmente relacionado ao seu corebusiness, ao contrário do antigo modelo de aquisição de data centers físicos, que demanda a necessidade de imobilização de capital, além de possuírem limitação de armazenamento e dependerem de hardware e gastos com manutenção. Historicamente, as empresas se viam obrigadas a comprar e instalar servidores mesmo sem saber que retorno sobre o investimento teriam ao longo do tempo.

Contudo, implementar esse tipo de solução não é uma tarefa fácil e depende de um fornecedor especializado para essa transição. Segurança, compliance e a própria complexibilidade na implementação dificultam a migração. Além disso, o gargalo profissional e técnico nas equipes e a performance das redes, juntamente com a inércia cultural, que também travam sua adoção.

Empresas que ainda relutam em adotar a tecnologia de nuvem, por mais que seja um caminho sem volta, tendem a ficar para trás na transformação digital e perdem competitividade no mercado atual. É uma questão de o que mover para a nuvem e com que velocidade. Mesmo se as vacinas resolverem essa crise, a influência do COVID-19 permanecerá como um catalisador neste mercado.

(*) – É cofundadora e diretora comercial da V8 Consulting (www.v8consulting.com.br).

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