Fugir da crise pode não ser a melhor solução

Ricardo Karpat (*)

Cada vez mais jovens brasileiros buscam emprego fora do país, o que pode ser um grande erro.

Nos últimos anos nos deparamos com uma debandada de jovens buscando oportunidades de trabalho fora do Brasil. Países como Austrália, Canadá e Nova Zelândia estão entre os destinos mais procurados. Porém, a possibilidade de sucesso é escassa. Raros são os casos de profissionais que conseguem constituir uma carreira no exterior ou que, pelo menos, façam com que essa experiência represente uma guinada profissional.

Na imensa maioria dos casos a opção é válida apenas como aperfeiçoamento de um segundo idioma e experiência de vida. Até pouco tempo essa era uma atitude tomada quase que na totalidade por jovens de classe média. Com a crescente crise vivida pelo Brasil nos últimos anos virou opção para muitos jovens de outras classes sociais também, inclusive os mais humildes, com uma falsa impressão de ser esta a solução para o problema do desemprego.

Porém, o que vemos repetidas vezes é um esforço financeiro desproporcional e sem retorno, pois ao voltar para o Brasil o jovem se vê numa situação ainda pior: além de desempregado, possui uma dívida significativa por conta da aventura ao exterior. O correto, àqueles que pensam em sair do país por conta da crise financeira, é realizar a viagem somente se já tiver um emprego pré acordado.

Caso contrário, as chances de êxito são remotas e trabalhar em subempregos acaba sendo o mais provável, o que não trará ganhos financeiros significativos, tampouco qualificará profissionalmente. O mais indicado é utilizar uma parte do investimento que seria feito na viagem para realizar um curso de qualificação e divulgação do currículo através de sites e redes sociais específicas.

Cursos especializados trazem diversas vantagens: tornam o profissional mais qualificado, apontam as empresas que se preocupam com o aprimoramento profissional (o que é muito valorizado) e criam relacionamentos que poderão abrir portas para a conquista de uma breve recolocação. Por fim, é importante verificar que, sem muita coerência, profissionais se submetem a trabalhar em subempregos fora do país, tendo que realizar um alto investimento financeiro para isso.

Por outro lado, não aceitam um trabalho menos qualificado neste momento de crise aqui no Brasil. Sob meu ponto de vista, o correto seria o contrário: permanecer no país, não se endividar e investir em qualificação e relacionamento, pois uma hora a crise passará e a retomada do crescimento trará consigo novas oportunidades aos que estiverem por aqui.

(*) – É diretor da Gábor RH, administrador de empresas especializado em recursos humanos.

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