Estagnação mundial

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

O planejamento de um país deveria considerar produção, exportação, consumo interno, importações como base das contas internas e externas e do orçamento público, buscando o equilíbrio.

Com o advento do dinheiro-mercadoria, ou ativo especulativo, houve uma inversão e tudo ficou superficial, pois a variável cambial se tornou prioritária engessando tudo o mais. Banqueiros e governantes se envolveram numa simbiose de financiamentos, juros e resgates. Produção, consumo e qualidade de vida se tornaram secundários em relação à atração de capitais para cobrir os déficits continuados.

Pobre Brasil. O que fizeram seus governantes em todos os níveis permitindo a estagnação e declínio? Um país viciado em imposto para sustentar a máquina administrativa perdulária e ineficiente, e os juros sobre a dívida gerada para cobrir os déficits, isso tudo recai sobre a população que vai se acomodando ao circo, não se importando em ser ludibriada contanto que possa seguir sua vidinha acomodada nos prazeres e no pouco esforço para alcançar a melhora.
Nos EUA os preços mantêm estabilidade e são inferiores aos praticados no Brasil, em grande parte devido à carga tributária melhor equilibrada. O grande drama da economia e do que está acontecendo no país está na falta de preparo e de propósitos enobrecedores em todas as camadas sociais. O empresário teria uma política de preços não extorsivos. Pessoas que não se enquadrariam nos programas sociais não falseariam. Assim, muita gente agiria de forma adequada, contribuindo para coibir os abusos.

O Brasil realmente precisa da união para o bem. Cai o emprego porque cai o consumo. Cai o consumo porque a renda cai. O que poderia impulsionar a atividade econômica sem os artificialismos criados pelos governos e pelas bolhas? No Brasil, a produção industrial está desestruturada. Produzimos menos num país cujo consumo está abaixo das necessidades básicas. Com a sintonização no “financeirismo” e a tolerância na corrupção, a economia perdeu o rumo.

Com a deslocalização da estrutura produtiva, países mais fechados ao livre cambismo deram impulso à produção para exportação. Há descontrole da dívida pública, câmbio, juros elevados, ingredientes que fazem parte da depressão que o mundo vive com seus desequilíbrios na produção, educação e finanças, embora a especulação corra solta e os gastos em armamentos continuem a todo vapor.

A partir dos anos 1990, como efeito da globalização, teve início a guinada da economia para a Ásia, para onde foram transferidos empregos e renda, e grande parte da produção destinada ao mercado externo. O grupo do G7 sente o baque; caem o PIB e o consumo. O presidente Trump disse que o aquecimento global foi criado por e para os chineses para tornar a indústria norte-americana menos competitiva. Seria uma guerra comercial em andamento? Mas não foram as próprias corporações que promoveram a deslocalização por conveniências no custo da mão de obra, regulamentação ambiental flexível e câmbio favorável?

Há décadas a China vem buscando dar eficiência à máquina governamental, enquanto outros países como o Brasil detonaram-na, aumentando a dívida real e estagnando a infraestrutura. O sistema de pouca transparência do Banco Mundial e do FMI criou o capitalismo canibal. Como outras potências, a China vai ao encontro do comando econômico-financeiro global como fizeram Inglaterra e Estados Unidos.

Há muitas coisas em flagrante oposição ao progresso da humanidade. Somos fruto de um desenvolvimento progressivo. No entanto, temos de respeitar limites naturais e não praticar ações nocivas a nós mesmos e à natureza, pois ficamos subordinados às consequências de nossos atos. O problema é que, ao longo da nossa evolução, levados pela cobiça, em vez de reconhecermos e observarmos os mecanismos das leis naturais, optamos pelo caminho destrutivo do imediatismo, pondo em risco as condições necessárias para a vida.

(*) – Graduado pela FEA/USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br). Email:([email protected]).

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