Confiança, a base de tudo

Jorge Santos Carneiro (*)

“O mundo está diferente”. Ouvimos isso o tempo todo, não é mesmo? De fato, as coisas realmente se transformaram.

Uma pandemia alterou nossa formar viver e trouxe com ela mudanças profundas na sociedade, especialmente nas relações profissionais. Antes dessa crise, o home office ainda era uma cultura pouco difundida no Brasil e restrito às empresas de determinados setores. De repente, todos foram forçados a aderir ao modelo com pouco ou nenhum planejamento.

Passamos um ano trabalhando de casa e tivemos que nos adaptar à cultura remota na prática, muito rapidamente. Ainda estamos em um processo de aprendizado, mas uma lição ficou clara: temos que confiar uns nos outros. É importante lembrar o que significa confiança. No dicionário, o termo é definido como “sentimento de segurança e respeito em relação às pessoas com quem se mantém relações de amizade ou negócios”. E por que precisamos confiar mais nos outros?

O primeiro aspecto é que o contato humano foi reduzido e nosso dia a dia é composto majoritariamente por integrações remotas: reuniões via plataformas digitais, conversas por aplicativos de mensagens, trocas de e-mails De tudo o que agora somos forçados a fazer virtualmente, confesso que aquilo que menos me faz vibrar são as celebrações virtuais que, sem dúvida, “ao vivo” são substancialmente melhores.

Além disso, sabemos que após esse turbilhão a maioria das empresas seguirá com um modelo híbrido, que possibilitará às pessoas trabalharem alguns dias em casa e outros no escritório. O home office ficará como um legado desse período e dificilmente voltaremos a ver as estruturas enormes com salas e baias que marcaram os escritórios corporativos dos anos 1990 e 2000.

Esse novo modelo, quando contempla as condições adequadas de trabalho, pode contribuir muito para melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, principalmente em grandes centros onde o tempo gasto com deslocamento pode chegar a quatro horas diárias. Diante de tais fatores, é fundamental saber que só teremos sucesso nesse formato se confiarmos em quem trabalha conosco.

Talvez alguns gestores vivam com o seguinte dilema: como vou ter certeza de que o colaborador está fazendo as suas atividades e não vendo televisão? Eu respondo simplesmente que não será possível ter certeza. E vamos falar verdade, também isso já não era viável no trabalho presencial.

Portanto, a chave está em acabar com a crença de que o trabalho remoto seria uma desculpa para “fazer corpo mole”. Não é! A responsabilidade de um profissional está mais ligada ao seu caráter do que ao local em que ele está. Muitas iniciativas de sucesso apostaram em ferramentas e metodologias para administrar os serviços e entregas dos colaboradores. Mesmo assim o mais importante ainda é confiar nos outros.

Empresa e colaborador precisam ter uma relação de confiança estabelecida para que a gestão à distância flua naturalmente. Faz parte do jogo. A liberdade de trabalhar de qualquer lugar traz consigo uma carga maior de responsabilidade para autogestão e para cumprir com as suas obrigações. Nem todos estão preparados, mas as pessoas tendem a reagir conforme o tratamento que recebem.

Quando demonstramos que existe confiança e responsabilidade compartilhada, a resposta normalmente vem em forma de engajamento e bons resultados. O chefe não está mais fisicamente ao seu lado, mas respeito e a transparência manterão essa relação produtiva. Afinal, o futuro chegou mais rápido e, nele, a confiança é o principal ativo do mercado de trabalho.

(*) – É presidente da ao³ (https://ao3tech.com/).

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