Eduardo Canicoba (*)
O setor de transportes sempre foi um dos principais pilares da economia brasileira. Em um país onde a logística depende majoritariamente do transporte rodoviário de cargas, o desafio é claro: tornar esse sistema mais eficiente, seguro e sustentável. Nesse cenário, a tecnologia tem se consolidado como protagonista de uma inovação contínua que está transformando o setor. E a telemática veicular é, sem dúvida, uma das engrenagens centrais dessa transformação.
Segundo estudo da consultoria global McKinsey & Company, publicado em 2022, empresas que adotam soluções avançadas de análise de dados e automação na logística podem reduzir em até 15% os custos operacionais e aumentar a produtividade em mais de 20%. Esses ganhos são possíveis graças à associação da telemática a tecnologias como inteligência artificial (IA) e machine learning, capazes de captar, analisar e transformar dados em decisões mais ágeis e inteligentes.
A telemática, por definição, é a combinação entre telecomunicação e informática, voltada para o monitoramento remoto de veículos. Na prática, no entanto, ela representa muito mais: permite, por exemplo, identificar padrões de comportamento ao volante que impactam diretamente o consumo de combustível e a segurança viária. Além disso, é capaz de antecipar falhas mecânicas, minimizando interrupções na operação e prolongando a vida útil dos ativos.
Em um país onde o transporte rodoviário concentra cerca de 65% da movimentação de cargas, segundo dados de 2023 da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o impacto positivo da telemetria vai além da eficiência nas operações. Seus benefícios se estendem à mobilidade, à segurança pública, à sustentabilidade e ao fortalecimento da economia nacional. Ao reduzir desperdícios e emissões, a tecnologia também impulsiona metas ambientais relevantes, como a transição para um transporte mais limpo e eficiente, contribuindo diretamente para a descarbonização do transporte.
No Brasil, esse movimento por um transporte mais limpo e inteligente tem se intensificado nos últimos anos. A crescente maturidade do mercado demonstra que eficiência operacional e compromisso ambiental caminham juntos, e que investir em dados é fundamental, tanto para ampliar a visibilidade das operações quanto para alcançar novos patamares de desempenho.
A adaptação dos gestores de frotas às novas tecnologias é decisiva não apenas para otimizar a operação e a rentabilidade, mas também para reduzir impactos ambientais. Plataformas modernas de gestão oferecem acesso a métricas detalhadas que permitem melhor planejamento de rotas, menor consumo de combustível e, consequentemente, uma significativa redução de emissões e custos operacionais.
Diante desse contexto, a experiência internacional e o aprendizado acumulado em diferentes mercados tornam-se diferenciais importantes. É o caso da Geotab, que em 2025 completa 25 anos de atuação global no setor de tecnologia para gestão de frotas, e quatro anos de presença direta no Brasil. Essa trajetória, aliada a uma visão localmente adaptada, tem contribuído para acelerar a adoção de soluções baseadas em dados no país.
Com presença consolidada em diversos mercados e expansão constante no Brasil, observamos um avanço significativo na adoção da inteligência de dados no setor. A aplicação de inteligência artificial (IA) tem possibilitado prevenir colisões, gerar comparativos de desempenho entre frotas para fins de benchmarking em segurança e oferecer insights preditivos que orientam decisões em tempo real. Um levantamento recente da consultoria de inteligência de mercado MarketsandMarkets, publicado em 2024, projeta que o mercado de IA em logística deve crescer a uma taxa anual de 24% até 2030, impulsionado justamente pela busca por previsibilidade e eficiência.
Essa maturidade crescente no uso de dados, impulsionada pela aplicação prática da telemetria, pela Internet das Coisas (IoT), e por soluções de IA, indica um avanço que vai além da digitalização. Trata-se de uma mudança de mentalidade, uma nova forma de pensar o transporte, a logística e a tomada de decisões. Mais do que ferramentas, os dados passaram a ocupar um papel estratégico nas operações que movem o país.
O futuro do transporte no Brasil está sendo moldado por quem sabe transformar dados em direção estratégica. A tecnologia já está ao nosso alcance, mas seu valor dependerá de como será colocada em prática: com propósito, planejamento e responsabilidade.
(*) Vice-presidente da Geotab Brasil.
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