Brasil: a difícil transição da adolescência para a fase adulta

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

O pior que pode acontecer a um povo é achar que o presente está pior que o passado e melhor que o futuro.

Há um mar de lama atacando e retardando o Brasil no preparo das novas gerações, na política, nas contas públicas, nos escandalosos jogos financeiros, e agora no Rio Doce também, materializando o negativismo. Seriam prenúncios do fim do Brasil? Precisamos dar um jeito, pois a decadência se acelera em todos os setores com a continuada deseducação e desmotivação da população em geral, e das novas gerações em particular. O pior que pode acontecer a um povo é achar que o presente está pior que o passado e melhor que o futuro.

O filme “Chico artista brasileiro”, sobre a trajetória do compositor e escritor, vale pelo passeio através da história do Brasil nos anos 1960, fase de transição, época da adolescência do Brasil; anos que poderiam ter sido o marco da saída do atraso, mas que acabaram abrindo caminhos sombrios da confrontação radical. Havia o anseio de melhora e a questão ainda recente do suicídio de Vargas, mas uma guinada para a esquerda trouxe trágicas consequências. Boa parcela dos jovens foi incentivada a isso, inclusive a classe dos artistas.

A melancolia da adolescência tem por finalidade despertar e incentivar a busca das causas reais das misérias e sofrimentos. Nessa fase, há o anseio para enobrecer a vida, não para a revolta cega. Com o coração obscurecido pela falta de pureza, pela raiva e ódio, perde-se a clareza e o sentido, e tudo volta ao marasmo paralisante. Como disse o próprio Chico, com ódio perde-se a poesia e a beleza contidas nas canções.

De longa data temos enfrentado a falta de dinheiro em circulação. Lá fora, a taxa de juros tem se mantido em nível baixo e quando há ameaças de redução dos negócios, surge um despejo maciço de dinheiro. Aqui o dinheiro some, a grande maioria recebe pouco e, com juros elevados, some mais ainda. No Brasil, a dívida pública volta a aumentar.

No país de economia e empregos pouco estruturados, tentou-se fazer a inclusão social de mais de 30 milhões de pessoas através do programa governamental Bolsa Família. Aumentaram as importações de produtos oriundos da Ásia, feitos com precarização da mão de obra. São os enigmas da economia, que somente se reduzem com governança séria.

Com a atual situação de desequilíbrio nas contas públicas e juros escandalosos, o Brasil ainda se mostra um país atrasado e medíocre. O jornalista Fernando Gabeira, em seu programa transmitido pela Globonews, mostra o descalabro das moradias precárias que surgiram pelas grandes cidades sem esgoto, com mosquitos de todos os tipos. Como foi possível que um país dotado de tantos recursos chegasse a isso? Interesseira, a classe política se deixou corromper em vez de promover o progresso geral do povo. Os oportunistas sempre estão à espreita para se imporem e se perpetuarem no poder através de falcatruas.

Chegamos à globalização, que trouxe enriquecimento para poucos e aumento da pobreza. A China e o Brasil tiveram alguma melhora, mas a ânsia de ampliação e perpetuação no poder trouxe inconvenientes. Estamos atravessando uma fase de negativismo que tem de ser revertida para nos focarmos no alvo nobre de gerar futuro digno de nossa espécie.

A fase da adolescência passou sem ser aproveitada para o bem; tudo ficou rasteiro, sem antenas para o Altíssimo. O que quer o mundo agora? O que quer o Brasil e sua gente? Falta consciência coletiva visando um futuro melhor, fundamentado nas eternas e incorruptíveis leis da Criação; falta força de vontade para por em prática o querer nobre para libertação do atraso moral e espiritual. É preciso limpeza e renovação de tudo.

(*) – Graduado pela FEA/USP, realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br). Autor de Conversando com o homem sábio; Nola – o manuscrito que abalou o mundo; O segredo de Darwin; 2012…e depois?; Desenvolvimento Humano; e O Homem Sábio e os Jovens ([email protected]).

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