Mercado do agronegócio impacta no aumento das parcerias estratégicas e de investimentos junto as agtechs, diz Mazars

O mercado do agronegócio está em expansão no Brasil. Diante desse cenário, aumentou a necessidade de inovar e apresentar novas soluções. Assim, a demanda de startups, as Agtechs, que são voltadas exclusivamente para atender esse mercado, também cresceu. Hoje, são 1.574 startups ativas, número 40% maior em relação à pré-pandemia. A informação é do Radar Agtech Brasil 2020/2021, elaborado a partir de uma parceria entre Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), SP Ventures e Homo Ludens Research and Consulting, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Para a Mazars, quinta maior empresa em transações de fusões e aquisições em parte do continente Europeu, com as diversas cadeias produtivas do agronegócio, grandes corporações do setor estão se movimentando e considerando investimentos nas Agtechs, como parceiros estratégicos ou até mesmo em processos de fusões e aquisições. Assim, quais são os cuidados que uma startup deveria ter para iniciar um relacionamento com uma grande corporação?

“Primeiramente, é importante destacar que o agronegócio possui uma cadeia produtiva formada por diversas classes, que são representadas por uma estrutura que navega desde os insumos primários − importantes para a cultura e preparação −, pela produção e processamento, distribuição e logística, até o consumidor final. Essas classes são representadas substancialmente por grandes grupos de empresas multinacionais. Quanto maior a integração entre elas, maior será provavelmente a qualidade do produto. O entendimento de cada uma dessas classes em termos de operação e peculiaridades proporcionará resultados diferenciados e lucrativos”, afirma Ricardo Maciel, sócio líder da Área de M&A e Reestruturação Financeira da Mazars.

Para o executivo, a aplicação de conceitos para uma agricultura 4.0, observada nos últimos oito anos, provocou um aprimoramento dos controles, da produção e da gestão, inclusive através da interpretação de dados, que hoje inclui a aplicação de inteligência artificial, técnicas do machine learning entre outros recursos tecnológicos.

“É inevitável que, atualmente, o agronegócio busque uma forma mais direcionada para o aumento da produtividade e da eficiência operacional e financeira, com um acompanhamento contínuo das produções agrícolas e busquem a sinergia entre os negócios”, declara Maciel.

Para o empreendedor de uma startup, é importante entender como esse relacionamento com uma grande corporação pode ser interessante no alcance dos seus objetivos inicialmente traçados. “Nesse sentido, a exemplo do que se identifica em processos de aquisição ou venda de empresas − M&A, as maiores indagações passam por conceitos utilizados na estratégia e na construção da cultura da organização.”

Em relação à estratégia, o foco se direciona para saber como a empresa manterá a pluralidade dos conceitos definidos para o novo modelo a ser construído. “As grandes empresas são mais burocratizadas, com procedimentos claros, lentas em certos movimentos decisórios, governança madura e com foco de retorno ao acionista. Ao passo que as startups são mais ágeis, informais, rápidas nas decisões, têm mais autonomia e com investimento dos lucros na própria operação para crescimento ou sobrevivência”, acrescenta Maciel. No momento de decisão, em relação à uma possível fusão ou aquisição, é importante navegar em uma análise do modelo de negócio proposto em uma perspectiva para a startup e para o investidor estratégico, dos aspectos legais envolvidos, da cultura, da precificação do negócio e da sua perenidade. “Nesse sentido, recomenda-se sempre efetuar uma análise dialética de negócios listando os aspectos positivos e negativos dessa parceria nova de sucesso, uma vez que a parceria é vital para o aprimoramento e desenvolvimento da cadeia de valor do setor”, finaliza Maciel.

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