27 views 4 mins

O que o agronegócio e Napoleão Bonaparte têm em comum?

em Agronegócio
terça-feira, 02 de abril de 2024

Sergio Rocha (*)

Conhecer o campo é a única estratégia para o sucesso do agronegócio

Topografia, clima, solo, produção e recursos naturais. Napoleão Bonaparte era famoso por sua habilidade em avaliar o terreno e usá-lo a seu favor. Seu conhecimento em geografia permitiu que tomasse decisões estratégicas sobre como mover suas tropas, estabelecer posições defensivas e explorar as vulnerabilidades do inimigo, garantindo sucesso em suas movimentações.

Seus feitos abrangem a expansão do Império Francês por grande parte da Europa, incluindo partes da Itália, Países Baixos, Suíça e territórios alemães, e vitórias notáveis em batalhas como a de Austerlitz, também conhecida como a Batalha dos Três Imperadores, e na Guerra da Quarta Coalizão, na qual obteve conquistas sobre a Prússia e a Rússia. Nesses episódios, o entendimento geográfico desempenhou um papel crucial.

Conhecer o campo e adaptar estratégias com base nessas informações não é exclusivo do cenário bélico dos séculos XVIII e XIX. A importância da análise de dados na tomada de decisões é ainda mais crucial nos dias de hoje.

Dados e IA como estratégia
No agronegócio, estar por dentro de características como clima e geografia é fundamental para otimizar a produção, reduzir riscos e aumentar a eficiência em toda a cadeia, possibilitando uma gestão ambiental responsável. Os desafios complexos demandam compreensão aprofundada da geografia econômica, aliada à análise de dados climáticos, logísticos e diplomáticos, para uma adaptação ágil e sustentável diante da volatilidade climática e requisitos ambientais cada vez mais rígidos.

Além disso, com a nova equação geopolítica, em que o nearshoring se destaca como uma estratégia relevante, aspectos climáticos, logísticos, diplomáticos e políticos ganham importância. Portanto, inovação, tecnologia e análise de dados tornam-se ferramentas essenciais nesse contexto.

Nos últimos anos, a Inteligência Artificial na agricultura tem impulsionado uma revolução no agronegócio, proporcionando sustentabilidade, eficiência e produtividade. A IA é utilizada para coleta e análise de dados, prevenção de problemas potenciais e desenvolvimento de novas tecnologias e inovações, possibilitando tomadas de decisões mais assertivas.

Esse cenário reflete no crescimento constante do setor. Em 2023, estima-se que o PIB do agronegócio brasileiro tenha alcançado R$ 2,62 trilhões, representando um aumento significativo em relação a 2022.

A tecnologia aplicada ao campo tornou o setor um dos mais sólidos e rentáveis para investimento, permitindo a coleta qualificada de dados e o monitoramento eficaz de territórios e cadeias produtivas. Além disso, a tecnologia garante o cumprimento dos critérios sustentáveis, considerando os pilares de ESG (ambientais, sociais e de governança). 

Hoje, empresas, tanto grandes quanto pequenas, reconhecem a tecnologia não como um adorno, mas como um recurso indispensável para oferecer serviços e produtos de forma sustentável, gerenciando riscos e mantendo alta produção.

Assim como Napoleão usou dados geográficos para desenvolver estratégias, a capacidade de interpretar e aplicar dados relevantes será determinante para o sucesso do agronegócio mundial, antecipando desafios e seguindo por um caminho de progresso.

(*) Founder & CEO da Agrotools.