A crise no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, deixou de ser apenas um problema geopolítico e passou a afetar diretamente a cadeia da soja brasileira — desde o embarque do grão até o preço do óleo de soja consumido diariamente pelas famílias. O fechamento parcial da rota e o aumento do risco de navegação elevaram custos logísticos globais, pressionaram os mercados futuros e reacenderam preocupações sobre o preço de insumos agrícolas essenciais.
Segundo Ieda Queiroz, coordenadora de contratos de agronegócios do CSA Advogados, a soja é uma das commodities mais sensíveis a esse tipo de instabilidade. “Quando uma rota como Ormuz entra em risco, o frete marítimo sobe no mundo inteiro. Isso afeta diretamente o custo de exportação da soja brasileira e, por consequência, toda a cadeia de derivados, incluindo o óleo de soja”, afirma.
O impacto logístico é imediato: prêmios de seguro de guerra aumentam, rotas alternativas ficam mais longas e caras, e embarques podem sofrer atrasos. Embora o Brasil não dependa de Ormuz para enviar soja à Ásia, o mercado marítimo é global — e qualquer choque em uma rota estratégica se espalha para todas as demais.
Além disso, a volatilidade nos mercados futuros se intensifica. A alta do petróleo, comum em períodos de conflito, pressiona custos logísticos e influencia o câmbio. Para Frederico Favacho, sócio de Agronegócios do Santos Neto Advogados, esse efeito chega ao consumidor. “Quando o petróleo sobe, o frete sobe. Quando o frete sobe, a soja fica mais cara. E quando a soja fica mais cara, o óleo de soja — que é um dos produtos mais consumidos no Brasil — tende a acompanhar esse movimento”, explica.




