A decisão da União Europeia (UE) de suspender a partir de setembro as exportações de carne brasileira e o anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições ampliaram a preocupação do setor agropecuário. Para Ieda Queiroz, coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, o Brasil corre risco real de perder competitividade internacional caso não comprove, de forma prática e auditável, o cumprimento das regras sanitárias exigidas pelos mercados mais rigorosos.
“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma Ieda.
O movimento do Reino Unido reforça que a preocupação é sistêmica. Segundo Ieda, quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, “fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”.
O Ministério da Agricultura (MAPA) reúne relatórios técnicos para responder às autoridades europeias, mas a reabilitação depende de comprovação prática de conformidade em toda a cadeia produtiva.
