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Swift, Armour, Ford, e as linhas de desmontagem e montagem

em Tecnologia
quinta-feira, 06 de agosto de 2026

As linhas de montagem foram criadas por Henry Ford. Elas permitiram a produção em massa de automóveis a baixo custo e logo foram copiadas por outras indústrias. A difusão do conceito de linha de montagem moldou a sociedade atual em termos, principalmente, de produção e consumo. 

Vivaldo José Breternitz (*)

Diz-se que Ford teve o insight que o levou a criar a linha de montagem ao visitar uma espécie de linha de “desmontagem”; segundo consta em sua autobiografia “My Life and Work” (1922), Ford teve essa ideia ao visitar um matadouro em Chicago. 

Esse matadouro tinha como proprietários Gustavus Swift e Philip Armour, criadores de um sistema de abate e “desmontagem” de bovinos que permitia que isso fosse feito em escala industrial. Ali, os animais eram suspensos de cabeça para baixo por uma corrente que corria presa a uma calha, passando de um funcionário para outro. Cada um executava uma tarefa específica no desmembramento da carcaça: atordoamento, corte da cabeça, sangramento, retirada do couro, corte dos membros, remoção das vísceras, lavagem etc. Swift e Armour eram grandes empresários do setor de carnes. 

Ford percebeu a eficiência dessa linha e inverteu o processo de desmontagem, criando em 1913 a linha de produção móvel. Nela, uma carcaça de automóvel passaria de funcionário a funcionário, sendo uma ou mais peças integradas em cada etapa, até se chegar ao produto final; os veículos eram montados em esteiras rolantes, que se movimentavam enquanto o operário ficava praticamente parado. Buscava-se assim a eliminação dos movimentos inúteis: o objeto de trabalho era entregue ao operário, em vez de ele ir buscá-lo.

Cada operário realizava apenas uma operação simples ou uma pequena etapa da produção; desta forma não era necessária quase nenhuma qualificação dos trabalhadores. Charles Chaplin, no filme “Tempos Modernos” mostrava como o trabalho nessas linhas robotizava os operários – aliás, os robôs hoje estão presentes em quase todos os tipos de linhas de montagem.

O método de produção fordista exigia vultosos investimentos em máquinas e instalações, mas permitiu que a Ford produzisse mais de 2 milhões de veículos por ano durante a década de 1920; cem anos depois, em 2025, o Brasil produziu 2,6 milhões de veículos. O veículo pioneiro produzido segundo o sistema fordista foi o Ford Modelo T, mais conhecido aqui como “Ford Bigode”, que até a chegada dos Fuscas foi o veículo mais vendido do mundo.

Como dissemos, essa tecnologia moldou a indústria e a sociedade atuais.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].