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EUA pretendem produzir drones projetados pelo Irã

em Tecnologia
quinta-feira, 19 de março de 2026

Os drones Shahed, desenvolvidos e produzidos pelo Irã, tornaram-se conhecidos mundialmente pelo baixo custo e eficiência.

Vivaldo José Breternitz (*)

No dia 1º de março, eles causaram as primeiras baixas americanas na guerra contra o Irã, matando seis militares no Kuwait.

Segundo o Wall Street Journal, os Estados Unidos decidiram copiar o design desses drones “kamikazes”, também chamados “one-way drones”, a partir de modelos usados pela Rússia e abatidos na Ucrânia. Agora, o Pentágono planeja produzir em massa uma versão dessa arma, pois como afirmou Emil Michael, subsecretário americano de Defesa para Pesquisa e Engenharia, “eles têm funcionado muito bem e se mostraram uma ferramenta útil”.

A cópia americana recebeu o nome de LUCAS (Low-cost Uncrewed Combat Attack System) e deve ir ao campo de batalha principalmente em função de seu custo, cerca de US$ 35 mil cada – a arma similar que vem usada pelos americanos é o MQ-9 Reaper, que custa US$ 16 milhões e dos quais mais de uma dezena já foi perdida em ataques iranianos.

O Irã fornece drones Shahed à Rússia desde a invasão da Ucrânia em 2022; mais recentemente a Rússia passou a produzir Shaheds internamente, enviando ao Irã versões aprimoradas, com maior precisão de navegação e resistência a bloqueios eletrônicos.

Voltando a falar em custos, observa-se um contraste gritante: para derrubar drones mais rústicos que o Shahed, que custam cerca de US$ 2 mil, lançados pelos Houthis no Mar Vermelho, os EUA chegaram a disparar mísseis de US$ 2 milhões.

A busca por alternativas mais baratas inclui o uso de lasers, capazes de neutralizar drones por menos de US$ 5 por disparo, mas há problemas: a tecnologia não está totalmente desenvolvida e lasers têm baixa eficácia em condições climáticas adversas ou ambientes arenosos, justamente o cenário dos desertos do Oriente Médio.

Enquanto Trump conduz uma guerra sem objetivos claros sobre o que seria “vencer”, os gastos americanos já ultrapassaram US$ 16 bilhões, fazendo com que a aposta em drones baratos como o LUCAS pode ajudar a equilibrar poder de fogo e orçamento.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].