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Como estimular a criatividade no pós-Carnaval aproveitando o ócio criativo

em Negócios
segunda-feira, 02 de março de 2026

Em meio à retomada intensa do mercado após o Carnaval, a CCO do Grupo Chango propõe uma reflexão estratégica: transformar o momento de respiro em ferramenta de clareza, profundidade e potência

Com o fim do Carnaval, o Brasil entra oficialmente no ritmo do ano. Para muitos profissionais que atuam com criatividade, estratégia e tomada de decisão, esse é o momento em que a agenda acelera, os projetos ganham tração e a pressão por performance reaparece com força. Mas, e se a retomada não precisasse começar no modo máximo?

Para Amanda Caliari, sócia-fundadora e CCO do Grupo Chango, central de estratégia e inovação especialista em gestão de marcas, artistas e conteúdo, a verdadeira virada não está em produzir mais, e sim em preservar clareza, repertório e energia criativa. Em um mercado que exige visão estratégica constante, ela defende que o ócio não é pausa improdutiva, mas uma ferramenta de criação.

“O ócio e momentos de diversão são estratégia e não luxo. No Grupo Chango, por exemplo, a criatividade é ativo central. E, nesse contexto, preservar energia criativa é visão de longo prazo. Após o Carnaval, talvez o movimento mais potente não seja somente acelerar, mas também criar espaços de respiro já que profundidade exige pausa. E pausa também é construção”, aponta a profissional que já liderou campanhas de grande escala, como a Casa Chango, projeto que alcançou mais de 30 bilhões de visualizações no TikTok.

Caliari, inclusive, listou cinco reflexões práticas para transformar o período pós-Carnaval em um momento de recarga real e potência criativa.

  1. O ócio devolve profundidade – A culpa por não produzir é um reflexo comum em ambientes de alta performance. No entanto, o excesso de produtividade consome algo essencial para quem trabalha com estratégia e cultura: a profundidade. “O ócio me devolve clareza intelectual e emocional. É no silêncio que as ideias se conectam e que a intuição reaparece. Criatividade exige espaço mental, o que não nasce da pressa. Por isso, não faz sentido se culpar pelo descanso, mas entendê-lo como parte do processo de criar com intenção”, aponta Amanda.
  2. Hobbies sem performance são combustível criativo – Para que o ócio seja realmente regenerador, ele não pode ser mais uma atividade guiada por resultado. Amanda, por exemplo, cultiva hobbies que não exigem performance: leitura de livros e revistas físicas, filmes que alimentam repertório estético, montagem de LEGO, elaboração de cerâmica sem compromisso técnico, tocar violão sem obrigação de perfeição. “Esses hobbies não são fuga. São retorno. Eles me devolvem para mim mesma. No meio de uma vida em que lidero pessoas, marcas e estratégia, ter espaços que não exigem performance é o que mantém minha cabeça criativa, viva e inteira. O ponto central é simples: atividades que não demandam validação externa criam presença interna”.
  3. Desaprender que valor está atrelado à produção – Um dos maiores desafios para recarregar completamente é romper com a ideia de que valor pessoal está sempre vinculado à produtividade. No pós Carnaval, desaprender a urgência constante pode ser o passo mais estratégico para sustentar o ano inteiro. “Descanso não é prêmio, mas sim ferramenta. É parte da construção do meu trabalho e da saúde, não só minha, mas de todos os profissionais criativos. É preciso desaprender a ideia de que valor está sempre atrelado ao que se produz”.
  4. Clareza de intenção é mais importante que metas infladas – A retomada após o feriado não precisa vir acompanhada de metas grandiosas. Para Amanda, o foco está em entender o porquê das escolhas.“Boas decisões não nascem de pressão, mas de direção. Em vez de sobrecarga, o convite é para consciência: o que continua fazendo sentido? O que precisa mudar de ritmo? O que já não conversa mais com o momento atual?”
  5. Sucesso não é zerar tarefas, mas preservar clareza – Em momentos de virada, a pressão por “fechar tudo” pode distorcer prioridades. Para Amanda, sucesso não está na exaustão da lista, mas na capacidade de discernir o que merece energia. “Sucesso não é zerar todas as tarefas. É conseguir se escutar e fechar o essencial para entrar no novo ciclo inteira, lúcida e com o repertório criativo preservado, sem sacrificar clareza para cumprir um calendário que não sabe quem somos”, finaliza a líder.