
Nos últimos anos, milhares de demissões têm sido atribuídas ao avanço da inteligência artificial, que estaria substituindo o trabalho humano a uma velocidade cada vez maior.
Vivaldo José Breternitz (*)
Mais recentemente, no entanto, estão surgindo dúvidas: quantas das empresas que recentemente anunciaram demissões estão, de fato, adaptando seu quadro de pessoal ao uso da inteligência artificial? E quantas estão apenas usando a tecnologia como desculpa para encobrir outros problemas?
Essa questão é levantada em reportagem do New York Times sobre o crescimento do chamado “AI-washing”, situação em que empresas citam a inteligência artificial como motivo para cortes, mas que, na verdade, estão ligados a outros fatores, desde aqueles ligados ao meraqdo até simplesmente à má gestão.
Em 2025, cerca de 55 mil demissões, apenas nas big techs, foram oficialmente atribuídas ao avanço da IA, com gigantes como Amazon, Microsoft, Salesforce e Intel estando entre as empresas que justificaram os cortes pela adoção de IA – 2026 iniciou-se com novos cortes, dentre eles os 16 mil feitos pela Amazon, que atingiu inclusive pessoal no Brasil.
Um relatório da consultoria Forrester, publicado em janeiro, afirma que muitas companhias que anunciam demissões relacionadas à IA não utilizam aplicações maduras para substituir o pessoal demitido, evidenciando a prática de AI-washing.
Confirmando essa opinião, Molly Kinder, pesquisadora sênior do Brookings Institution, um respeitado grupo de pesquisa americano fundado em 1916, disse que vincular demissões à IA é uma “mensagem muito atraente para investidores”, sobretudo quando a alternativa seria admitir que “o negócio está em dificuldades”.
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




