
Infraestrutura, inovação tecnológica e integração global aceleram mudanças no mercado e na formação profissional
O Brasil está vivendo um momento de transição econômica, em que a reindustrialização desponta como um dos principais movimentos capazes de redefinir o mercado de trabalho nos próximos anos, representando ao mesmo tempo um grande desafio e uma importante oportunidade. Com a modernização das empresas e a adoção de novas tecnologias e processos inovadores, passa a ser exigido um novo perfil de formação profissional, alinhado às demandas desse futuro nada distante.
Um exemplo claro desse movimento é a chegada dos trens chineses, que irão conectar diversas regiões do país. Além de representar um investimento expressivo em infraestrutura, essa iniciativa provoca mudanças significativas na logística e na cadeia produtiva, abrindo espaço para o crescimento dos mercados de transportes, automação e de setores complementares, como robótica e inteligência artificial, setores diretamente ligados à inovação e à eficiência industrial.
Outro reflexo relevante dessa transformação é a criação do Centro Interdisciplinar de Estudos Brasil-China da Unicamp também reflete a importância da globalização no setor industrial, com um compartilhamento de estudos em inovações tecnológicas e metodológicas. Isso abre espaço para a introdução de novas indústrias, como aquelas voltadas para a sustentabilidade, economia circular e biotecnologia, por exemplo.
A interconexão entre países e continentes gerará novas necessidades no mercado de trabalho e, consequentemente, exigirá que os profissionais se atualizem e adquiram competências diversas e avançadas. A educação profissional, nesse contexto, se torna um pilar indispensável. No entanto, não se trata apenas de ensinar uma habilidade técnica isolada, mas de proporcionar uma formação que prepare os profissionais para se adaptar rapidamente a inovações que surgem de forma acelerada.
“O ensino profissional, principalmente na área tecnológica, deve se alinhar com as demandas do futuro, incorporando disciplinas voltadas para tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial, Big Data, e Internet das Coisas (IoT), com uma visão holística do futuro”, explica Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, rede de escolas de IA, Tecnologia e Competências do Futuro para todas as idades.
Mais do que treinamentos focados em setores específicos, os profissionais do futuro precisarão desenvolver competências multifacetadas, como resolução criativa de problemas, capacidade de adaptação rápida e mentalidade inovadora. As novas manufaturas exigirão pessoas ágeis, com forte capacidade de aprendizado contínuo e prontas para lidar com mudanças constantes.
“Esse movimento de adaptação envolve não só a criação de novas oportunidades de aprendizado, mas também a transformação das metodologias de ensino, com o uso de novas plataformas e ferramentas que tornem o conhecimento mais acessível, dinâmico e conectado à realidade do mercado ”, complementa Giroto.
A transformação da educação profissional vai além das metodologias de ensino, exigindo um novo olhar sobre o perfil dos profissionais demandados pelo novo caminho que se desenha: pessoas que não sejam apenas qualificadas tecnicamente, mas que possuam visão integradora, compreendam o impacto das novas tecnologias em diferentes setores e saibam aplicar seus conhecimentos de forma inovadora.
