
Por que ações isoladas não constroem matrículas sustentáveis
Eu vejo muitas instituições tratando marketing como um botão que se aperta quando a matrícula precisa subir. Faz um anúncio, cria um evento, dispara um e-mail e espera que o resultado venha. O problema é que educação não é compra por impulso. Ela é decisão de alto envolvimento, com medo, expectativa, comparação e conversa em família. Por isso, para mim, marketing educacional precisa ser um sistema. “Marketing is… creating and delivering value to satisfy the needs of a target market.” Valor, aqui, não é só publicidade; é coerência entre promessa e experiência.
Quando penso em sistema, eu penso em continuidade. Conteúdo não é só atração; é preparação para a decisão. Atendimento não é só resposta rápida; é tradução de confiança. Experiência do aluno não começa no primeiro dia de aula; começa na primeira interação com a marca. E o pós-matrícula não é “operacional”; é marketing em sua forma mais poderosa, porque é onde a instituição prova que merece recomendação. O que mais destrói performance não é falta de campanha, é quebra de consistência: um discurso na comunicação e outra realidade na rotina.
Quando uma instituição investe nesse olhar sistêmico, ela ganha clareza e eficiência. O custo por lead cai porque a mensagem fica mais precisa. A conversão melhora porque o atendimento sabe conduzir expectativas. A retenção cresce porque o aluno se sente visto. E a reputação se fortalece porque as promessas são sustentadas por processos. Sistemas não são “mais complexos”; são mais inteligentes, porque evitam retrabalho e reduzem ruído entre áreas.
Na prática, eu começo perguntando onde o vínculo se perde: na descoberta, na conversa, na matrícula, no primeiro mês, no semestre, no pós? Um sistema bom conecta essas etapas como uma jornada única. E marketing vira a função que alinha cultura, processos e comunicação. Atender necessidade de forma sustentável exige constância, não picos.
Campanhas ajudam, mas um sistema sustenta. Se eu quero matrículas previsíveis, eu não posso depender de ações isoladas. Eu preciso de um ecossistema que gere confiança antes, durante e depois da decisão. Quando marketing vira sistema, ele deixa de “correr atrás” e passa a conduzir crescimento com maturidade.
Referências:
Kotler, P., & Keller, K. L. (2016). Marketing management (15th ed.). Pearson. library.uniq.edu.iq
Kotler, P. (2000). Marketing management: Millennium edition. Prentice Hall.
Com graduação em Arquitetura e Urbanismo, pós graduação em Administração, MBA em Empreendedorismo e Inovação, e Master in Digital Marketing, Carol Olival tem um perfil multidisciplinar e transita com segurança pelos mercados de educação, marketing, vendas e treinamento. Carol operou escolas próprias de inglês por 10 anos, e hoje é Community Outreach Director da Full Sail University, responsável pela criação e manutenção de comunidades internacionais para a universidade através da divulgação das imensas possibilidades que as carreiras na economia criativa oferecem.



