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China lança data center submarino alimentado por energia eólica

em Tecnologia
sexta-feira, 31 de outubro de 2025

A China anunciou o lançamento do primeiro data center subaquático do mundo, instalado a 35 metros de profundidade na costa de Xangai, resfriado pela água do mar e alimentado por energia eólica.

Vivaldo José Breternitz (*)

O projeto, no qual foram investidos US$ 226 milhões, tem como objetivo economizar energia elétrica, um insumo cada vez mais importante em data centers, onde é utilizada para refrigeração e atividades de processamento de dados propriamente ditas.

A energia elétrica tornou-se um fator tão importante na área a ponto de a capacidade dos data centers agora ser expressa em megawatts (MW), unidade de potência elétrica. Na atualidade, já há data centers que exigem 100 MW, o equivalente ao consumo de uma cidade de 50 mil habitantes.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a primeira fase deste já está operacional com capacidade de 2,3 MW, devendo chegar a 24 MW, sendo que já está em estudo uma versão de 500 MW a ser instalada em alto-mar.

Vale lembrar que entre 2018 e 2020, para fins de pesquisa, a Microsoft manteve o Natick, um data center submarino instalado nas costas da Escócia; no entanto, o projeto foi encerrado em função de seus custos e dificuldades de manutenção.

Conceitualmente, o projeto é simples: instalar os servidores em cápsulas hermeticamente fechadas, submergi-los no leito marinho e deixar que o oceano absorva o calor gerado – isso deve levar a um índice de eficiência energético (Power Usage Effectiveness – PUE) inferior a 1,15, melhor que a média dos grandes data centers terrestres e abaixo do mínimo exigido na China, 1,25.

As capsulas são revestidas com material anticorrosivo para resistir ao ambiente salino, sendo a manutenção e atualização de hardware um processo caro e demorado. Escalar o projeto para centenas de MW em profundidades maiores pode ampliar significativamente esses fatores.

Ecologistas manifestaram suas preocupações com possíveis impactos de data centers como esse sobre o meio ambiente, especialmente se seu uso se disseminar e propõem pesquisas a respeito antes de que isso aconteça.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].