311 views 3 mins

Leonidas: uma nova arma antidrones

em Tecnologia
quarta-feira, 01 de outubro de 2025

Os drones tornaram-se uma das armas mais importantes na guerra moderna, razão pela qual encontrar formas eficazes de neutraliza-los é essencial.

Vivaldo José Breternitz (*)

É relativamente comum que enxames desses drones, carregados com explosivos, sejam lançados sobre um determinado alvo, normalmente uma instalação militar, veículo blindado ou grupo de soldados, destruindo-os.

A empresa norte-americana Epirus, voltada a produtos destinados à guerra eletrônica, desenvolveu tecnologia voltada ao enfrentamento desse tipo de ataque, uma arma que dispara micro-ondas de alta potência (High-Power Microwave – HPM), que vem sendo chamada “Leonidas”.

Em teste recente, que contou com a presença de representantes do Departamento de Defesa dos EUA e de nove países aliados, o Leonidas colocou fora de combate um enxame composto por 61 drones, sendo 49 deles com um único disparo.

Devido ao baixo custo dos drones, grandes quantidades deles são usadas em missões de ataque e reconhecimento. Os pulsos de energia eletromagnética do Leonidas são projetados para desativar ou destruir a eletrônica interna dos drones hostis.

A arquitetura de software do Leonidas permite que os operadores ajustem as formas de onda em tempo real, adaptando os efeitos para diferentes alvos e minimizando os riscos para sistemas aliados próximos e outros danos colaterais.

O design modular também permite múltiplas configurações, desde plataformas fixas até unidades montadas em veículos e barcos – nesse caso o alvo são os motores das embarcações inimigas.

Além disso, o Leonidas oferece vantagens táticas e econômicas significativas, com munição praticamente ilimitada enquanto houver energia, reduzindo drasticamente o custo por engajamento em comparação com disparos de artilharia, foguetes e mísseis.

No entanto, o Leonidas ainda enfrenta desafios típicos de armas desse tipo, como o alto consumo de energia, alcance limitado e o risco de interferência em eletrônicos próximos.

Apesar disso, seu potencial é grande, em um momento em que enxames de drones com inteligência artificial já estão em uso em diversos conflitos; esses enxames podem superar as defesas antiaéreas tradicionais, o que torna as armas de micro-ondas de alta potência cada vez mais relevantes.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].