
O uso de pequenos submarinos não tripulados vem crescendo muito, sendo os mesmos genericamente chamados drones.
Vivaldo José Breternitz (*)
Recentemente, a Helsing, uma startup alemã, anunciou seu mais recente produto, um minissubmarino autônomo para reconhecimento. Chamado Fathom, o submarino é a mais recente adição à crescente frota europeia de drones marítimos, que pretendem proteger melhor os navios e a infraestrutura submarina do continente.
O Fathom, uma máquina que mede 1,95 metros pode ficar três meses em patrulha, sem necessitar de qualquer tipo de reabastecimento. É dotado de uma plataforma de inteligência artificial chamada Lura, capaz de classificar sons produzidos por navios e submarinos e identificar suas posições.
A Helsing disse que o Fathom pode ser produzido em massa, se necessário. Pode também formar constelações, com muitos deles vindo a constituir uma rede de vigilância abrangendo grandes áreas.
Os países europeus conscientizaram-se da necessidade de vigilância desse tipo a partir da sabotagem do gasoduto Nord Stream em 2022, que expôs a vulnerabilidade de ativos subaquáticos, levando os membros da OTAN a intensificar a defesa de suas águas, preocupados com possíveis agressões.
Na Ucrânia, os drones navais já se tornaram uma arma importante em sua guerra contra Moscou: no início de maio, os ucranianos usaram seu drone Magura para abater duas aeronaves russas. O Magura, armado com mísseis, tem sido usado desde 2023 para atacar navios e aeronaves russas.
A Ucrânia segue expandindo sua frota de drones navais, tendo recentemente a empresa Nordex apresentado o Seawolf, um veículo de superfície a ser utilizado para missões de vigilância e ataque.
Outros países europeus estão desenvolvendo máquinas similares, como os britânicos que pretendem lançar um drone a ser utilizado em missões de combate ou transporte, e os dinamarqueses, que estão testando barcos autônomos para missões de patrulha.
A adoção de drones marítimos ocorre em meio a crescentes tensões geopolíticas, que levaram os governos europeus a investir bastante em tecnologia de defesa, tendo em março deste ano lançado o plano “ReArm Europe”, que prevê empregar cerca de 800 bilhões de euros nos próximos quatro anos para aumentar suas capacidades militares.
Apesar de o atasque russo à Ucrânia ter mostrado que preocupações com a defesa são pertinentes, vale lembrar o alerta feito pelo presidente dos Estados Unidos Dwight D. Eisenhower em 1961, quando deixava o cargo: cuidado com os gastos militares e com a influência do “complexo militar-industrial”.
Eisenhower, um general de cinco estrelas e herói da Segunda Guerra Mundial certamente sabia do que estava falando…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].



