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Varejo paulista cresce mas começa a ver sinais de desaceleração

em Economia
quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Com o mercado de trabalho aquecido, o varejo paulista viu seu faturamento crescer 7,9% neste primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado. Os resultados de junho, porém, evidenciam uma tendência de desaceleração do setor (alta de 4,4%), mostram os dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da FecomercioSP.

Tendência semelhante é observada na cidade de São Paulo, com expansão de 7,7% nas vendas ao longo do semestre, mas de ritmo mais lento em junho (4,8%) em relação ao mesmo mês de 2024.

A avaliação da FecomercioSP é de que, se por um lado o mercado de trabalho em bom momento e a renda melhor sustentaram o consumo, por outro o ciclo de altas da taxa Selic (ela está em 15% hoje), a inflação acima do teto da meta e o crescimento da inadimplência já impactaram negativamente as vendas de alguns segmentos, principalmente os que comercializam bens duráveis – em que a compra depende de crédito, o que compromete o orçamento doméstico durante meses.

No Estado de São Paulo, por exemplo, concessionárias de veículos e das lojas de móveis e decoração recuaram 0,8% e 9,9%, respectivamente, em junho. A expectativa é que essa tendência de desaceleração, e até mesmo de queda nas vendas de algumas atividades, permaneça no segundo semestre. Isso porque os fatores econômicos que impulsionaram a retomada do setor de 2023 em diante, como a elevação da renda média, a recuperação do emprego e a inflação mais controlada, perderam fôlego agora.

Em paralelo a isso, o mercado de trabalho tende a se acomodar no nível atual, enquanto o crédito está ficando mais caro e o endividamento das famílias está voltando a subir (em agosto, 71,5% dos lares paulistanos estavam com dívidas e 22,1% tinham contas atrasadas (AI/FecomercioSP).