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IA e desemprego: cargos de nível júnior em risco

em Tecnologia
terça-feira, 03 de junho de 2025

A Anthropic é uma startup americana fundada em 2021 por Dario Amodei, uma das 100 pessoas mais influentes de 2025 segundo a revista Time.

Vivaldo José Breternitz (*)

A empresa criou o modelo de inteligência artificial Claude, concorrente direto do ChatGPT da OpenAI e do Gemini do Google, e vale hoje mais de US$ 60 bilhões.

Em entrevista ao site Axios, Amodei, antigo executivo da OpenAI, criadora do ChatGPT, fez uma previsão alarmante: segundo ele, a inteligência artificial pode eliminar até 50% dos empregos administrativos e técnicos de nível inicial nos próximos cinco anos, o que pode levar a taxa de desemprego dos Estados Unidos a atingir entre 10% e 20% – fato similar certamente ocorreria no Brasil.

O executivo acredita que tanto os governos quanto as empresas de tecnologia estão subestimando o risco da eliminação em massa de postos de trabalho, especialmente em áreas como administração, engenharia, tecnologia da informação, finanças, direito e consultoria em geral. O alerta refere-se sobretudo a funções juniores e cargos que não exigem alta especialização ou muita experiência.

“Os legisladores não entendem ou simplesmente não acreditam no que pode acontecer”, afirmou Amodei, destacando que muitos CEOs do setor de IA evitam comentar o tema por receio das implicações. “A maioria dos trabalhadores não faz ideia do que está por vir. Parece loucura, e as pessoas simplesmente não acreditam.”

Após ter recebido investimentos de gigantes como Amazon e Google, a Anthropic tem se consolidado como uma das líderes na corrida da IA. Amodei alerta que a evolução tecnológica pode trazer consequências sociais profundas: ele traça um cenário futuro onde, graças à IA, “o câncer terá sido curado, a economia crescerá 10% ao ano — e 20% da população estará sem trabalho!”.

Essa não é a primeira vez que Amodei se pronuncia sobre os possíveis desdobramentos da IA. Em outras ocasiões, previu avanços na medicina que poderiam prolongar a expectativa de vida humana até 150 anos.

Mas é o impacto no trabalho que, segundo ele, precisa de atenção urgente. “Como criadores dessa tecnologia, temos o dever e a obrigação de sermos honestos sobre o que está por vir”, disse. “Não acredito que as pessoas estejam cientes disso.”

Amodei encerrou com um apelo direto: “Estamos dizendo que vocês deveriam se preocupar com a direção que essa tecnologia está tomando. E, para quem acha que estou apenas exagerando, a pergunta que deixo é: e se eu estiver certo?”.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].