Como seria uma guerra entre EUA e Coreia do Norte?

A troca de ameaças entre Estados Unidos e Coreia do Norte nas últimas semanas deixou o mundo em alerta para a possibilidade de uma guerra entre duas potências militares

ANSA

Coreia do Norte exibe força militar em parada na capital Pyongyang.

Embora um conflito armado não seja do interesse de nenhum dos dois países ou de seus aliados, a beligerância de Donald Trump e Kim Jong-un pode colocá-los em um caminho sem volta para uma situação que se desenharia "catastrófica".

É o que pensa o professor de relações internacionais da faculdade ESPM Gunther Rudzit, que prevê um impacto humanitário e econômico "gigantesco" no caso de uma guerra entre EUA e Coreia do Norte. "Vários ex-militares americanos já vêm colocando que seriam 70 mil baixas só no primeiro dia, sobretudo na Coreia do Sul. Seul seria transformada em ruínas", comentou o especialista, referindo-se ao país que seria o principal atingido pelo conflito.

Um eventual ataque - preventivo ou reativo - dos Estados Unidos teria como objetivo destruir as instalações nucleares e balísticas espalhadas pelo território da Coreia do Norte, que não hesitaria em disparar um arsenal de centenas de mísseis, principalmente contra a metade meridional da península. O principal alvo de Pyongyang seria a capital Seul, que fica a menos de 40 quilômetros da fronteira e concentra cerca de 20% dos 51 milhões de habitantes da Coreia do Sul. A metrópole conta com 3,3 mil abrigos antibomba, mas o pouco tempo para evacuar civis deixaria milhões de pessoas no meio do fogo cruzado.

Acredita-se que o regime norte-coreano tenha em seu poder um arsenal composto por aproximadamente mil mísseis balísticos, muitos deles posicionados no limite da zona desmilitarizada entre os dois países, assim como os sistemas de artilharia. Essa força inclui os recém-testados ICBMs (sigla em inglês para "míssil balístico intercontinental"), que teriam a capacidade de cruzar o Oceano Pacífico e atingir a costa oeste dos EUA, porém a maior parte do poder de fogo norte-coreano é formada por projéteis de curto e médio alcance.

Cerca de 600 deles são mísseis de origem soviética Scud, que pode chegar a 600 quilômetros. Outros 300 são do tipo Nodong-2, que percorre uma distância entre 1 mil e 1,5 mil quilômetros e pode ser equipado com armas químicas e biológicas. "A Coreia não conseguiria acertar nenhuma grande cidade americana, já que possui poucos mísseis intercontinentais, mas ela tem centenas de mísseis de curto e médio alcance, e não há sistema antimíssil que consiga deter tudo isso", afirma Rudzit.

Dispondo de um arsenal com essas características, Pyongyang também estaria apta a atingir, com seus armamentos mais convencionais, boa parte do território do Japão, que abriga dezenas de instalações militares dos Estados Unidos, assim como a Coreia do Sul - uma eventual evacuação em massa dessas bases poderia indicar a iminência de uma guerra. Além disso, a ilha de Guam, território ultramarino norte-americano no Pacífico, poderia ser alcançada pelos mísseis Hwasong-12, com alcance de aproximadamente 4,5 mil quilômetros.

"Do ponto de vista humanitário, seriam entre 2 milhões e 3 milhões de pessoas mortas, com grandes chances de armas nucleares serem usadas novamente, quebrando um tabu que pode fazer com que outros se sintam à vontade para usá-las em um futuro próximo", explica o professor da ESPM.
Além da catástrofe humanitária, uma possível guerra entre Pyongyang e Washington poderia devastar a 11ª economia do planeta, a Coreia do Sul, sede de multinacionais como Samsung, Hyundai, LG e Kia Motors e integrante das grandes cadeias globais de produção.

"Apenas para dar um exemplo, todos que têm TVs da Samsung ficariam sem peças de reposição", salienta Rudzit. Para o professor, Kim sabe que uma guerra o destruiria, por isso ele tentaria provocar o maior estrago possível. "Se o atacarem convencionalmente, ele não vai responder convencionalmente", acrescenta. Segundo o professor, o temperamento de Trump e Kim tornou cada vez mais "provável" uma guerra que antes era apenas "possível". "Se não houver moderação, pode se caminhar para um conflito que nenhum dos lados quer", ressalta.

Sinais de recuo foram dados na última terça-feira (15), com o líder norte-coreano dizendo que "esperará" as ações do inimigo para agir. O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, também mostrou abertura e afirmou que aguarda apenas o "interesse" de Pyongyang para "buscar um modo de dialogar".

As frases colocam um pouco de água fria nos ânimos, que, se continuarem exaltados, arriscam transformar até mesmo situações banais em uma declaração de guerra. "Se faltar comunicação ou luz na Coreia do Norte, como será interpretado? Como uma falha ou como uma ação dos Estados Unidos? Se um navio norte-coreano explodir por algum defeito, como pode ser interpretado?", completa Rudzit (ANSA).

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