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Windows perdeu 400 milhões de usuários em três anos

em Tecnologia
quarta-feira, 02 de julho de 2025

O vice-presidente executivo da Microsoft, Yusuf Mehdi, afirmou recentemente que o Windows está presente em mais de 1 bilhão de dispositivos ativos ao redor do mundo.

Vivaldo José Breternitz (*)

Embora o número seja expressivo, ele representa uma queda em relação a 2022, quando mais de 1,4 bilhão de dispositivos rodavam Windows 10 ou 11 – é uma queda considerável, quase 30%.

Esse cenário explicaria a postura agressiva da Microsoft ao incentivar atualizações para o Windows 11, especialmente com o fim do suporte ao Windows 10 se aproximando. A intenção é clara: fazer com que os usuários adotem a versão mais recente do sistema operacional, seja em seus computadores atuais (caso sejam compatíveis), seja adquirindo um novo PC.

Apesar da concorrência com o macOS, especialmente após a introdução dos chips Apple Silicon, não se pode concluir que os 400 milhões de usuários migraram para MacBooks. De fato, as vendas de Macs também vêm caindo — de acordo com a Statista, em 2023 a linha de computadores da Apple passou a representar apenas cerca de 8% da receita da empresa, uma queda significativa em relação aos anos anteriores.

O que parece estar acontecendo, na verdade, é uma migração gradual do uso de computadores para smartphones e tablets, dispositivos cada vez mais poderosos. Desde 2019, o site ZDNET já apontava que os únicos mercados de consumo relevantes para PCs com Windows eram o de gamers e o de profissionais especializados que dependem de softwares exclusivos da plataforma. A pandemia provocou uma breve alta nas vendas de computadores, mas essa tendência de declínio aparentemente voltou a se consolidar.

A proximidade do fim do suporte ao Windows 10 deve impulsionar as vendas no setor corporativo, já que empresas precisam garantir a segurança de seus sistemas com software atualizado. No entanto, entre consumidores comuns, a situação é diferente: muitos seguirão usando seus PCs com Windows 10, mesmo sem atualizações, aceitando um maior risco de segurança — algo que, ao que tudo indica, pouco preocupa o usuário médio.

Sistemas operacionais alternativos, que antes não representavam ameaça real, agora ganham espaço. O pacote Office já não é o diferencial de outrora: o Google Docs, gratuito e baseado na nuvem, atende com eficiência às necessidades de boa parte dos usuários.

Devido a tudo isso, muitos já não veem motivo para seguir com a Microsoft – que deve enfrentar grandes problemas nessa área.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].