Tecnologia 16 a 18/07/2016

Cinco entraves para ingressar no universo digital

A adoção de tecnologias disruptivas está mudando o comportamento das pessoas e a maneira de se fazer negócios

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Charles Hagler (*)

Novas tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial, aplicativos móveis e big data, por exemplo, tem o potencial de transformar profundamente o ambiente competitivo das empresas nos mais diversos segmentos. Porém, a maior parte das organizações ainda não adotou nenhuma dessas inovações para aprimorar os seus processos e garantir maior competitividade. Isso porque não é uma questão de simplesmente implementar novas tecnologias. É preciso repensar os processos, no limite do negócio como um todo, para conquistar os reais benefícios da transformação digital.

Diante das dificuldades das organizações ingressarem nesse universo, preparamos uma lista, baseada na ampla experiência da TOTVS neste contexto, com os cinco principais entraves para minimizar as armadilhas do processo de transformação.

1. Avaliação dos processos: atualmente, qualquer processo pode ser transformado utilizando tecnologias digitais. Por transformação, estamos nos referindo a repensar o processo na sua essência. Implantar um workflow em dispositivos móveis, por exemplo, não é transformar o processo, é apenas torná-lo mobile. Haverá uma evolução, é claro, porém o resultado pode ficar muito aquém do potencial de se repensar o processo considerando todo o seu ciclo de vida dentro e fora da organização. No entanto, é inviável atacar todas as oportunidades ao mesmo tempo. É fundamental priorizar. Diante dessa afirmação, a maioria das empresas tem dificuldade de mapear quais processos devem ser repensados primeiro. Para tomar essa decisão, é importante cruzar a importância dos processos nos resultados da empresa com a profundidade do impacto das novas tecnologias neles. Em seguida, considerar o esforço de implantação de cada transformação e o cenário competitivo do segmento. Isso permite a criação de um ranking de prioridades dos processos a serem transformados. Só assim será possível tomar uma decisão assertiva e avançar mais um passo em direção à transformação.

2. Poluição tecnológica: a segunda armadilha é a infinidade de tecnologias disruptivas existentes hoje. Em um estudo recente, identificamos mais de 50 com potencial disruptivo. Será que todas elas fazem sentido para os negócios? A maioria dos executivos se perde no excesso de opções. Não tem conhecimento das tecnologias existentes, assim como a real aplicabilidade delas. Muitos acabam utilizando-as conforme o apetite comercial de seus fornecedores e adotam aquelas que são oferecidas ao seu time de TI ou sugeridos pelas áreas clientes. A decisão deve levar em conta quais tecnologias possuem maior aplicabilidade aos processos priorizados para possibilitar, de fato, um salto de qualidade e competitividade. Outro ponto a considerar é a confiabilidade e o custo dos fornecedores disponíveis no Brasil.

3. Aplicação limitada ao uso de uma tecnologia: mesmo após avaliar e definir os processos de maior impacto no negócio e qual tecnologia disruptiva implementar, as empresas acabam, muitas vezes, focando apenas na simples aquisição e implementação, sem dar a devida atenção à transformação digital relacionada. Isto é, as organizações replicam uma solução genérica de mercado sem contemplar todo o potencial de transformação existente nos seus processos, deixando de gerar a plenitude dos benefícios esperados. Para aproveitar ao máximo o potencial dessas tecnologias, é importante utilizar a metodologia de design thinking, que estimula a inovação e combina diversas ferramentas para a total reconstrução do processo e do modelo de negócio.

4. Dificuldade de atrair talentos: outro fator que deve ser levado em consideração ao adotar tecnologias disruptivas na sua organização é o novo perfil do profissional de TI. A maior parte das companhias tem a falsa impressão de que a equipe de tecnologia atual conseguirá implementar o projeto de transformação, mas isso, na verdade, não se concretiza, justamente por esse time estar acostumado com o mundo tradicional. As empresas precisam reestruturar a área de TI para que seja possível atender à essa nova demanda, sem deixar de atuar também nas soluções tradicionais já implementadas. Esse conceito é conhecido como TI Bimodal. Para montar equipes digitais, as empresas passarão ainda por um difícil processo de atração de talentos, já que esse perfil de profissional procura companhias que têm características desse mundo digital. Uma alternativa é utilizar parceiros que fornecem serviços com mão de obra da era digital.

5. Experiência do usuário: muitas empresas ainda subestimam a importância da experiência do usuário na construção da solução. Conhecer os impactos que a tecnologia escolhida trará ao relacionamento e, principalmente, à usabilidade do usuário – seja ele funcionário ou cliente – é fundamental para maximizar a aceitação e possível viralização da inovação. Muitas organizações ainda não conseguiram absorver em suas culturas a importância de se trabalhar próximo, não apenas aos usuários finais, mas também aos principais envolvidos desde a fase da concepção do projeto até a sua finalização. Desta forma, além de pensar nas melhorias que devem ser implementadas no produto, é possível construir desde o início com o usuário, aumentando assim, o índice de aceitação e, consequentemente, o retorno do investimento.

Essas novas tecnologias impactarão todos os segmentos de mercado, sendo que alguns deles sentirão essas mudanças mais rapidamente. Um estudo da Standard & Poor’s estima que em 2020 as 500 maiores empresas serão compostas em 75% por organizações que ainda nem ouvimos falar. Isso comprova que estamos no início de uma profunda transformação digital organizacional. Por isso, repensar o negócio e superar esses entraves é fundamental para se adequar ao novo momento. Embora a corrida para ingressar no universo digital seja intensa, as empresas precisam ter em mente que a adoção de novas tecnologias, como mobile, inteligência artificial, cloud, redes sociais, analytics, entre outras, é apenas um impulsionador de melhorias. É necessário, antes de adotá-las, repensar todo o negócio e os seus processos, com foco na experiência do usuário. Só assim será possível se manter competitivo nessa trajetória de mudanças.

(*) É o diretor da TOTVS Consulting responsável pela área de Transformação Digital. Engenheiro formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), atua na consultoria desde 2008, coordenando projetos de planejamento, Fusões e Aquisições e implantação de Centros de Serviços Compartilhados (CSCs). Recentemente, assumiu a área de Transformação Digital. Antes de ingressar na TOTVS Consulting, trabalhou por seis anos na Accenture.

Profissional em mutação: o papel do chefe de dados

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O acesso mais amplo às tecnologias da informação, os avanços sistêmicos, as empresas e os consumidores ávidos por inovação, assim como a crise econômica que afeta negócios no País todo e põe à prova modelos tradicionais de gestão são apenas alguns dos motivos que estão propiciando uma revolução em curso para o futuro da indústria. Essa mudança traz novas oportunidades para o mercado, tanto na educação quanto na geração de empregos altamente qualificados, além do ganho de rentabilidade para as organizações que souberem aproveitar este cenário.
Com a chegada da digitalização no ambiente de trabalho, que propiciou o conceito de Indústria 4.0 (uso intenso da digitalização e robotização em processos industriais, que aumentam a produtividade e agregam mais valor ao negócio), surge uma alteração na estratégia de gestão das empresas, que é concebida com a demanda de um novo perfil profissional: o chefe/ cientista de dados.
Esse profissional, que nasceu em um ambiente de mais fácil acesso à informação e à educação, tem naturalmente capacidade empreendedora e analítica, o que irá ajudar as empresas a avaliar a enorme quantidade de dados por meio de habilidades necessárias para a manipulação e entendimento dos dados. Vale ressaltar aqui que o cientista de dados é a profissão mais “sexy” deste século, segundo a Harvard Business Review, e que ela segue tão quente quanto rara aqui no Brasil.
O emprego desse cientista é fundamental para empresas que já têm uma cultura corporativa baseada em dados ou estão pensando em desenvolver. As que já operam com dados podem reformular o time para multitarefas, tendo em vista profissionais que têm um DNA de Transformação Digital. Enquanto as outras que visam este modelo podem dar o passo inicial com a criação do novo cargo para gerir as suas iniciativas. O emprego deste profissional irá definir o sucesso das empresas neste mercado que apresenta uma revolução em curso.
Pode-se dizer que este novo trabalho pode ser visto como uma quebra de paradigma, uma vez que é preciso criar e amadurecer o ambiente. Esta revolução no perfil profissional nos últimos anos é o que pode se esperar nas próximas décadas. E quem vai executar essa estratégia, num segundo estágio, talvez de forma mais amadurecida, é o público que está sendo formado, os millenius. A capacidade deles de conectividade virtual e pessoal, num ambiente com um vasto número de informações e pessoas, somada à expertise necessária em determinadas áreas, levam à capacidade analítica, rapidez e assertividade na tomada de decisões, dando condições para um mercado de trabalho cada vez mais empreendedor.
Esta é a hora das empresas começarem a repensar seus modelos para receberem, num futuro próximo, profissionais com habilidades pouco exploradas hoje, mas que trarão condições para que as novas demandas de análise e tomada de decisão sejam suportadas e, acima de tudo, bem utilizadas nos negócios. Mãos à obra!

(Fonte: Eduardo Borba é presidente da Sonda IT,
maior integradora latino-americana de Tecnologia da Informação).

Transmissões automotivas: realidade e futuro

Mauro Moraes de Souza (*)

Um dos maiores desafios da indústria da mobilidade atual é oferecer veículos integrados às necessidades de preservação do meio ambiente e dos recursos finitos de produção

Nunca se falou tanto, como nesta última década, em eficiência energética e na consequente necessidade de soluções leves e eficientes para os veículos. O Brasil busca nos últimos anos responder a esses imperativos, aliando-os às necessidades internas de crescimento econômico, ao lançar programas como o Inovar-Auto para promover mudança radical no panorama da mobilidade. No entanto, todo o esforço dispendido e o desenvolvimento alcançado têm sido prejudicados face ao atual momento de crise econômica do País.
Vivemos a era da inovação. Forças são arregimentadas, visando um mundo de ventura social, tecnológica e econômica, aproveitamento inteligente dos recursos naturais e entrega de novos valores com alto grau de aplicação para a sociedade. Ultimamente, a queda do preço mundial do barril de petróleo impulsionou o consumo mundial desta commodity. Particularmente, nos Estados Unidos, observa-se uma tendência de aumento do uso de veículos maiores enquanto que as leis que regulam a emissão de poluentes tornam-se mais severas na maioria dos países.
Surge um dilema a ser vencido pelos fabricantes de veículos: atender as normas de emissões em tempos de combustível barato e expectativa de prazer ao dirigir sem limitações. Diversas tecnologias disponíveis trazem contribuições inovadoras inestimáveis, porém permanecem as perguntas: conseguiremos gerenciar ideias e resultados disruptivos ou permaneceremos muito próximos do comum? Inovar significa otimizar ou expandir as fronteiras do negócio? Quais tendências podem indicar as tecnologias futuras a serem desenvolvidas hoje?
Os sistemas de trem de potência ou, como são mais conhecidos, sistemas de powertrain têm contribuído significativamente para o alcance dos objetivos e das metas globais para a redução da emissão de poluentes e particularmente com o grande impulso dado pelo desenvolvimento de motores mais leves, menores e mais eficientes. Semelhante desafio se impõe também aos sistemas de transmissão.
Atualmente, é comum nos depararmos com perguntas contraditórias, mas ainda nem sempre há resposta certa. Qual o melhor caminho? Aumentar o número de relações de transmissão para propiciar ganhos, fazendo com que os motores trabalhem em faixas mais eficientes ou reduzir o número destas relações, para propiciar a redução do tamanho das caixas de transmissão automotivas? Há necessidade ou não de caixas de transmissão automotivas para veículos 100% elétricos? Qual o papel das transmissões no contexto de veículos híbridos? Como os novos materiais e processos para a fabricação dos componentes de uma transmissão podem contribuir para o aumento de eficiência energética de um veículo?
Tendências parecem indicar palavras-chave como melhoria dos componentes das transmissões, hibridização, eletrificação, comunização, modularidade, flexibilidade e escalabilidade. O mercado ainda busca fórmulas para responder perguntas como estas e solucionar as contradições impostas por tais requisitos à inovação dos sistemas de transmissões. Não é tarefa fácil, mesmo para as empresas envolvidas, saber ao certo qual será o futuro das transmissões.
No Brasil, há um espaço considerável para o mercado absorver a chegada de novas tecnologias, porém a barreira atual que precisamos vencer é da credibilidade. Não obstante, ainda que num cenário mais pessimista do que otimista, as empresas da mobilidade brasileira fazem o trabalho de casa, redefinem seu ambiente de negócios e buscam a inovação tecnológica como caminho de sucesso. O que fica claro neste contexto é o seguinte: para que as inovações sejam bem desenvolvidas no Brasil, é preciso que a indústria automotiva aprofunde seu entendimento do que significa inovar, de como fazê-lo de forma sustentável e qual o retorno esperado com inovações. Reconhecer tendências, entender para onde vão as tecnologias e identificar quais soluções atuais fazem sentido no ambiente brasileiro e como adaptá-las é fundam ental para que as empresas invistam e modifiquem positivamente esse cenário de competitividade do setor automotivo brasileiro.
O 14° Simpósio SAE BRASIL de Powertrain objetiva oferecer aos engenheiros da mobilidade, voltados ao ambiente de negócios brasileiro, espaço para entendimento das tendências e questionamento sobre as tecnologias que direcionam o mundo das transmissões automotivas. Os temas escolhidos para a pauta do simpósio serão apresentados nos dias 1º e 2 de agosto, no Parque Tecnológico de Sorocaba, a 100 km de São Paulo, por profissionais altamente qualificados de renomadas empresas de alto nível tecnológico.

(*) É diretor regional da Seção Campinas da SAE BRASIL.

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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