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Tecnologia 09/10/2015

em Tecnologia
quinta-feira, 08 de outubro de 2015

As novas caras do reconhecimento facial

Reconhecimento facial era uma tecnologia restrita a ambientes de alta segurança. Mas esse recurso está se tornando atrativo para um grupo mais amplo de indústrias e aplicações

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Jenny Månsson (*)

Entre 2010 e 2013, o desempenho das tecnologias de reconhecimento facial – que dependem de precisão e velocidade – melhorou cerca de 30% em todos os fornecedores, de acordo com o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, dos Estados Unidos, que trabalha junto à indústria no desenvolvimento e aplicação de tecnologias, medidas e padrões.

Essas melhorias ocorrem graças aos avanços nos algoritmos de software, mas, ao mesmo tempo, a qualidade das câmeras de vídeo também tem desempenhado um papel importante.

Muitas vezes, as próprias câmeras são usadas para capturar imagens dos rostos das pessoas e armazená-las em um banco de dados com listas de pessoas com permissão de acesso ou de pessoas suspeitas. Isso faz da imagem um fator-chave na confiabilidade de um sistema de reconhecimento facial.

Iluminação impõem desafios
Em um ambiente de alta segurança, como o controle de fronteiras em um aeroporto, a câmera de vídeo é geralmente instalada em uma posição fixa, com condições de iluminação consistentes e facilmente controláveis, seja dia ou noite. A câmera tem apenas que capturar um rosto por vez, e pede-se aos passageiros para que se posicionem a uma certa distância do equipamento. Este cenário, com seus fatores controláveis, trabalha a favor de um alto índice de precisão.

No entanto, o mesmo não se aplica a outros casos em que uma iluminação ruim pode prejudicar a qualidade da imagem. Uma aplicação particularmente desafiadora é o controle de acesso, quando a câmera precisa capturar a imagem de várias pessoas em movimento, quando passam pelas entradas, por exemplo. Não só é difícil capturar uma imagem nítida de vários rostos em movimento como a qualidade vai depender também do quanto a câmera consegue lidar com as diferenças de intensidade da luz – em um dia ensolarado, a área externa poderá ser muito brilhante em contraste com a área mais escura.

Mas estão surgindo tecnologias inovadoras em câmeras de vídeo em rede, que podem reduzir os efeitos de brilho e oferecer imagens nítidas mesmo em condições mais difíceis de luminosidade. Lentes especiais, tecnologias para pouca luz e equilíbrio automático do branco são todos fatores que podem melhorar a qualidade da imagem. Junto com os melhores algoritmos de software, e o fato de que o custo do software de processamento da imagem diminuiu consideravelmente nos últimos anos, o reconhecimento facial vem se tornando uma opção para uma variedade mais ampla de controle de acesso, segurança, detecção de fraude, pesquisa forense, investigação criminal e atendimento ao cliente.

Além da segurança
O reconhecimento facial não é mais uma questão de conceder ou negar acesso ou enviar alertas quando certas pessoas são identificadas. A combinação do rosto de um cliente com um banco de dados também pode permitir que varejistas, hotéis, bancos ou cassinos possam identificar rapidamente aqueles candidatos a um tratamento VIP, por exemplo.

Da mesma forma, o reconhecimento facial está se tornando uma ferramenta poderosa de Business Intelligence, que vai além de reconhecer a identidade de uma pessoa. Ele pode coletar padrões demográficos e de comportamento, rastreando como clientes do sexo feminino ou masculino ou mais jovens e mais velhos se movimentam pela loja, onde eles tendem a ficar por mais tempo e o que chama sua atenção. Nesse caso, o software não precisa identificar a pessoa, mas pode informar com alta precisão se é homem, mulher, um jovem ou idoso.

As possibilidades são quase infinitas: o software de reconhecimento facial pode ser integrado a um sistema de marketing que automaticamente mostra promoções feitas sob medida para o cliente. Os dados coletados e agregados em determinado período dão ao lojista um melhor entendimento de como o layout da loja afeta as vendas e as taxas de conversão. Com base nisso, podem ser feitas as melhorias necessárias – tudo apenas com a avaliação desses dados.

Maior oportunidade de mercado
Com custos mais baixo e melhorias em captura de imagem e processamento de dados, os analistas estão prevendo uma taxa de crescimento médio anual de 25% no mercado de reconhecimento facial. Em 2020, esse mercado vai valer 6,18 bilhões de dólares, de acordo com a empresa de pesquisa MarketsandMarkets.

No momento, a barreira para muitas das novas aplicações ainda é o investimento inicial em software e hardware, incluindo os servidores de alta performance exigidos para fazer a conferência no banco de dados. Quanto mais potentes forem os chips das câmeras desenvolvidos e mais avançada se tornar a tecnologia, parte do processamento de imagem será feita eventualmente dentro das próprias câmeras e não em um servidor, tornando as soluções de reconhecimento facial mais eficientes em termos de custo. E mais: as empresas estão começando a entender o retorno que elas podem obter ao implementar uma solução desse tipo para combater problemas como quebra, roubo e vandalismo – desde lojas tornando-se capazes de fazer um monitoramento mais eficiente até estádios negando a entrada de torcedores violentos.

(*) É diretora de Desenvolvimento de Negócios da Axis Communications.


Avião solar não tripulado vai coletar dados na Amazônia

Cientistas do Laboratório de Sistemas Autônomos da universidade ETH, de Zurique, na Suíça, vão coletar dados atmosféricos na floresta amazônica paraense de maneira inédita: usando um avião solar não tripulado. O equipamento –desenvolvido durante o doutorado de um estudante da ETH e batizado de AtlantikSolar– vai sobrevoar um trecho da floresta saindo de Barcarena em direção a Melgaço, onde fica uma parte da Floresta Nacional de Caxiuanã, no dia 22 de outubro.
O avião vai levantar, por meio de sensores, informações atmosféricas sobre ventos, umidade, temperatura e radiação em trechos da floresta antes nunca estudados. O voo do AtlantikSolar foi autorizado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo Cindacta IV de Manaus (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo).
Hoje, o Brasil coleta esse tipo de informação na floresta por meio de redes de estações meteorológicas de superfície e por meio de balões. “A Amazônia tem extensas áreas de floresta densa, fechada, cujo acesso é dificílimo e a logística é muito complicada. Por isso, a instalação de sensores de superfície e, principalmente, a sua manutenção, são um desafio muito grande e dispendioso”, diz Carlos Alberto Freitas, Gerente Regional de Belém do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), um dos parceiros locais do projeto.
Informações meteorológicas são importantes para entender a dinâmica da floresta. Muitos estudos já realizados na Amazônia mostram, por exemplo, que grande parte da umidade do Oceano Atlântico é transportada pelos ventos para a floresta amazônica, interage com os ciclos biogeoquímicos da floresta e continua sendo transportada até as regiões Sudeste e Sul do país, levando chuva. “Toda informação adicional passível de ser obtida permite que avancemos no conhecimento e nos possibilita compreender melhor como a natureza e a sociedade podem ser influenciadas pela variabilidade natural do clima”, diz Freitas.
Para os suíços, o voo servirá como um teste para averiguar a autonomia e a resistência da aeronave em condições climáticas diferentes das encontradas nas Europa. Todos os dados coletados no voo, no entando, ficarão a cargo do Censipam, que cuidarpa da disponibilização das informações aos parceiros. Os dados podem ajudar na condução de novos estudos sobre a região amazônica.
O equipamento também possui uma câmera de alta resolução capaz de criar imagens em 3D e em infravermelho, o que pode ou de difícil acesso –como refugiados no mar.

O IT- Service Manager realmente contribui para a satisfação dos clientes?

Luiz Rodrigues da Silva (*)

Custo, qualidade da entrega e satisfação do cliente são fatores cruciais não só para o sucesso, mas também para a sobrevivência das empresas

É neste cenário competitivo e exigente por agilidade, qualidade no desenvolvimento e no suporte da entrega que estão os provedores de serviços de TI. A pressão pelo atendimento integral dessas expectativas e de suas necessidades faz com que a TI seja obrigada a sair da posição de coadjuvante e passe a ocupar o papel de protagonista. E tudo isso, claro, em um contexto que seja estratégico às empresas, o que garante para o setor o peso da responsabilidade na sustentação do negócio.
Para dar conta de todas essas demandas e expectativas, nasce uma figura que impõe uma nova maneira de trabalho para suportar o grande desafio: o Service Manager! Esse profissional vem se tornando fundamental para o atingimento da satisfação dos clientes, uma vez que assume posição de maior proximidade. Com isso, obtém melhor entendimento do negócio, sente a temperatura de cada momento, sente-se parte integrante de um objetivo comum e consegue manter e aperfeiçoar a qualidade do nível de serviço por meio de um ciclo de negociação e relacionamento. Algumas das principais atribuições do Service Manager são: garantir acordo de níveis de serviço (SLA), atuar de forma direta nas ocorrências de problemas e melhorias, além de antecipar futuros problemas e eventuais crises. Mas não é somente isso que se espera dessa figura tão importante.
Em quase 20 anos de experiência em serviços de TI, sendo os últimos focados em delivery, e tendo contato direto com essa realidade, por muitas vezes recebi depoimento de clientes pontuando a necessidade de algo mais. Eles sentiam falta dessa proximidade e do conhecimento sobre seu negócio. Em alguns casos, dada a percepção de distanciamento dos prestadores de serviços de TI, alguns clientes faziam graça com a situação e chegavam a brincar que os SLAs entregues pareciam “melancias”: um jargão popular utilizado no meio para registrar a dúvida quanto ao real atingimento e qualidade. O “verde” por fora indica o atingimento, porém o “vermelho” por dentro indica que o cliente, por mais que os números registrem a entrega do nível de serviço acordado, não encontra satisfação completa nos resultados, demonstra incômodo e necessidades que vão além dos SLAs.
Além de ganhar um parceiro muito mais próximo, que orienta e alinha expectativas que possam resultar em valor ao seu negócio, o cliente passa a ter uma figura com total conhecimento de sua necessidade, que carrega o que costumamos classificar como “sentimento de dono“. Esse comportamento faz toda diferença quando a maior expectativa dos clientes hoje em dia vai muito além do mero cumprimento de níveis de serviço. Antecipar-se aos problemas e propor soluções pode significar um ganho muito mais importante para o negócio e não só para os processos de TI.
Com esse posicionamento estratégico do Service Manager, a “melancia” fica de fora do cardápio. A insatisfação é mitigada ou até mesmo desaparece. A relação madura e de proximidade estabelecida entre as partes não dá margem para isso. Cada vez mais estou convencido da contribuição desta figura na busca e no atingimento da satisfação dos clientes. Os resultados são facilmente medidos pelo crescimento de negócios dentro da base de clientes ativos, registros de agradecimentos e comentários dos próprios clientes.
Os provedores de serviços de TI que realmente se preocupam em acompanhar o tripé “custo, qualidade da entrega e satisfação do cliente” e querem se tornar parceiros estratégicos para o negócio de seus clientes não podem ignorar a relevância do Service Manager. Por outro lado, os profissionais que querem se destacar nesse contexto precisam, cada vez mais, entender que o momento do mercado pede um protagonista e não um coadjuvante.

(*) É diretor de Service Management na Sonda IT, maior integradora latino-americana de soluções de Tecnologia da Informação.