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Tecnologia 01/04/2016

em Tecnologia
quinta-feira, 31 de março de 2016

Informação de qualidade e ferramentas de apoio à decisão clínica são cruciais para reprimir erros médicos

Os erros ocorridos em diagnósticos médicos são uma preocupação mundial comum a todo o ecossistema de saúde. Os números são elevados. 44 mil americanos morrem todos os anos desses graves equívocos e como consequência US$ 17 bilhões são gastos desnecessariamente

app temproario

Peter Bonis (*)

No Brasil, esta realidade não é diferente. A maioria das pessoas conhece alguém que recebeu medicação errada ou passou por um procedimento médico desnecessário. Dados do Supremo Tribunal de Justiça apontam que, de 2010 para 2014, houve um crescimento de 140% no número de processos movidos em decorrência de erros cometidos dentro do sistema de saúde do país.

Uma imprecisão durante o atendimento ou um diagnóstico errôneo provoca danos ao paciente, como consternações que poderiam ser evitadas ou aquisição de alguma doença até então inexistente, além de impactar negativamente nos resultados dos prestadores de serviços e aumentar os custos relacionados à manutenção da estrutura de atendimento. Recentemente, uma discussão em fórum de debates online promovido pelo Projeto Global Health Delivery, da Universidade de Harvard, evidenciou a preocupação dos profissionais de saúde em todo o mundo e os desafios que enfrentam para chegarem ao diagnóstico exato, para o paciente certo, em casos nos quais segundos podem ser determinantes para salvar ou não uma vida.

Os motivos que levam um profissional da saúde a ter uma interpretação equivocada do quadro clínico de um paciente são diversos. Em regiões menos desenvolvidas, seja por falta de programas de pós-graduação ou pela carência de especialistas treinados, os profissionais da saúde muitas vezes têm que exercer a prática médica muito além da sua formação, o que comprovadamente reflete em diagnósticos incoerentes. Ademais, o défice no acesso a informações clínicas de qualidade, tanto por parte das equipes médicas como de enfermagem, é um dos grandes vilões neste aspecto: o médico depara-se com um caso desconhecido e/ou relativamente novo e não tem onde buscar recomendações que realmente sejam efetivas e que ajudem a direcionar melhor o diagnóstico.

Mas, como ter acesso a conteúdos de relevância? Os recursos abertos que são acessados por milhares de profissionais da saúde poderiam sim ser uma alternativa, porém sua veracidade e credibilidade são questionáveis. Apenas 1% dos artigos médicos disponíveis no Wikipedia, por exemplo, passou por algum tipo de revisão antes de ser disponibilizado.

Um relatório recém-publicado pelos pesquisadores membros do Projeto Global Health Delivery da Universidade de Harvard, traz como alternativa bem sucedida para essa problemática os recursos de apoio à decisão clínica. Essas ferramentas combinam tecnologia e plataformas de publicação avançada a um rigoroso e sofisticado processo editorial, gerido por autores médicos e editores especialistas. Outro ponto interessante é o fato de existir um elevado grau de comprometimento com a qualidade da informação, ampliando o leque de possibilidades de diagnósticos e assegurando a aplicação de critérios validados, o que por sua vez acarreta em uma avalição apropriada dos casos. Para exemplificar, esses pesquisadores citam um estudo feito pela Mayo Clinic – organização americana sem fins lucrativos da área de serviços médicos e de pesquisas médico-hospitalares – que demostrou que os profissionais que fazem uso de soluções de apoio à decisão clínica baseada em evidências e que contam com uma base sólida de recomendações de autoria de especialistas são aqueles que obtêm as maiores notas em exames de certificações. Foi revelado ainda que esses recursos estão associados a menores taxas de mortalidade e tempo de permanência nos hospitais, especialmente em instituições de pequeno porte e não dedicadas ao ensino médico.

É fato, portanto, que quanto mais os profissionais da saúde puderem contar com conteúdo de qualidade e ferramentas de apoio à decisão clínica, menores serão as chances de errarem, seja no momento em que realizam os diagnósticos ou na escolha dos melhores tratamentos.

(*) É Chief Medical Officer (CMO) da Unidade de Negócios de Efetividade Clínica da Wolters Kluwer, líder mundial em fornecimento de informações para profissionais e estudantes da área da saúde, que desenvolveu o solução para suporte a decisões médicas UpToDate®).

UpToDate MobileComplete permite acesso a recomendações médicas mesmo em modo offline

Doctor-Ipad temproario

Nova versão do app de apoio à decisão clinica garante a obtenção de respostas mesmo quando não houver conexão com a internet. Mais rápido, está disponível agora também para usuários corporativos, hospitais e instituições de saúde
A Wolters Kluwer, líder global no fornecimento de informações e em soluções para os locais de atendimento na área da saúde, anuncia a disponibilidade da nova versão MobileComplete™ do Uptodate para usuários corporativos. O recurso, até então disponível apenas para usuários individuais, permite que as recomendações confiáveis do UpToDate sejam baixadas nos dispositivos móveis, iOS e Android, e acessadas independentemente de acesso e da disponibilidade da conexão com a internet.

A disponibilidade do recurso de apoio à decisão clínica também no modo offline, conquistada na versão MobileComplete, traz uma enorme conveniência para hospitais, sistemas de saúde e instituições acadêmicas, especialmente para as localizadas em regiões como o Brasil, com sérias restrições de conectividade. Em 2015, por exemplo, o país ficou em 21º lugar dentre 30 países no índice de experiência de banda larga da empresa de pesquisas Ovum, calculado com base em parâmetros que mensuram a percepção de qualidade do consumidor e a capacidade de conectividade. Além disso, o recurso é vantajoso também para os usuários com planos de dados restritivos, uma vez que ajuda a diminuir o consumo de dados nas redes 3G ou 4G.

O UpToDate MobileComplete permite o acesso instantâneo a mais de 10,5 mil tópicos clínicos, 9,7 mil recomendações de autoria de especialistas, 5,6 mil sugestões de medicações, 30 mil gráficos e a verificação dos créditos relacionados a educação médica continuada, assim como disponibiliza inúmeras calculadoras otimizadas para dispositivos móveis. Ademais, para garantir que os usuários acessem as recomendações mais atuais, o app verifica periodicamente e atualiza o conteúdo quando existir conexão internet.

O popular app foi reconhecido por inúmeras publicações especializadas em tecnologia e em saúde, incluindo as seguintes listas:

• Dez aplicativos que médicos deveriam estar usando agora, Physicians Practice
• Os melhores aplicativos médicos para seu novo iPhone, iMedicalApps
• Os 7 melhores aplicativos para médicos, Capterra
• Os 10 aplicativos para iPhone que todo estudante de medicina precisa ter, medaholic
• Os 12 aplicativos móveis para emergências médicas que você deve ter Schumacher Group
• Os melhores aplicativos para enfermeiras, Nurse Practitioners­
• Os melhores aplicativos de publicação, EContent Magazine­

Uma pesquisa mundial realizada pela UpToDate, em 2014 com 930 profissionais, em 68 países, revelou que médicos e instituições de saúde estão implementando cada vez mais estratégias móveis de saúde, impulsionando a adoção de dispositivos como iPads e smartphones como ferramentas clínicas. A pesquisa constatou que 77% dos profissionais utilizam esses recursos durante a prática médica e 70% para suporte a decisão clínica.

“Ajudar os profissionais da saúde a encontrarem respostas para suas perguntas clínicas de forma rápida, independente de onde estiverem, vem totalmente de encontro com a nossa missão de melhorar a eficácia dos cuidados a saúde em todo o mundo,” ressalta Denise Basow, MD, Presidente & CEO, da divisão de Efetividade Clínica da Wolters Kluwer. “O lançamento do UpToDate MobileComplete nos permite avançar neste objetivo, assegurando que os médicos sempre tenham rápido acesso à informações clínicas confiáveis, com ou sem conexão à internet”.

Eficiência operacional deve ser mantra dos CIOs em 2016

Tiago Khouri (*)

Os últimos anos não foram os melhores para a economia da América Latina

Os indicadores de mercado foram abalados por casos de corrupção, pela queda dos preços das commodities e por causa da desaceleração da economia chinesa. Apesar do cenário extremamente complicado, os consumidores encontraram maneiras de seguir adotando os mais modernos aparatos tecnológicos. É o caso dos smartphones: seu uso acontece 24x7x365 em todos os lugares e em todas as ocasiões. Para colocar esta tendência em perspectiva, um estudo recente da eMarketer revela que, na América Latina, 156 milhões de assinantes de telefonia móvel já migraram para os smartphones, o que representa uma taxa de penetração de 39%. Em países como Chile e Colômbia, a taxa de adoção já excede 50%. Neste contexto não é surpresa que os índices de utilização de sites como Facebook e YouTube na América Latina sejam comparáveis às métricas de países desenvolvidos.
Esta tendência gera um aumento sem precedente de tráfego de dados e ainda amplifica as demandas sobre os grandes data centers presentes, em sua maioria, em operadoras de telecomunicações, instituições financeiras, órgãos do governo, empresas de colocation e de computação em nuvem.
Esse quadro fica ainda mais dramático quando se pensa que a Internet das Coisas (IoT) veio para ficar. Um relatório do Gartner indica que, até 2020, cerca de 26 bilhões de dispositivos IoT estarão em ação no mundo. Isso inclui, é claro, a América Latina. Em breve, veremos cada dispositivo IoT aumentando também de forma exponencial as demandas nas redes de Telecom e na infraestrutura dos data centers — por trás de cada dispositivo conectado há um data center sendo tremendamente exigido.

Como fazer mais com menos recursos
Em um cenário econômico onde as vendas estão em queda, a maioria das empresas tem de cortar custos para proteger suas margens de lucro. Isto coloca muitos profissionais de TI em uma posição em que devem entregar mais serviços com menos recursos, especialmente os CIOs, que serão pressionados a reduzir custos e aumentar a eficiência operacional. Por outro lado, esta realidade também representa uma excelente oportunidade para esses gestores que compreendem os benefícios das novas tecnologias. Os profissionais que sabem projetar o valor de diferentes arquiteturas para seus data centers em termos financeiros estão, neste exato momento, aproveitando para aprovar novos projetos e ganhar influência sobre o board de suas empresas. A verdade é que o universo da infraestrutura de TI das corporações é um espaço com grande potencial para aumento da eficiência e redução de custos. É comum, no entanto, que as ineficiências só sejam descobertas através de um processo de revisão ativo.
Existem diversas tecnologias que podem reduzir os custos operacionais de maneira significativa. Um estudo recente da TSO Logic confirmou que, em média, 30% dos servidores de data centers estão em estado vegetativo, ou seja, consomem muita energia, mas não produzem quase nada em termos de processamento. Isso acontece porque muitas empresas ainda têm servidores antigos. Para piorar o quadro, muitas vezes estes servidores suportam aplicações que não são acessadas com frequência. Ou seja, os servidores de um data center são um bom ambiente para se começar a melhorar a eficiência da TI.
A migração de aplicações de alta variabilidade de demanda para nuvem é uma estratégia que pode gerar uma boa redução de custos fixos também. Mas quem não quiser seguir esse caminho poderá, ainda assim, aposentar servidores antigos e extrair uma maior produtividade dos equipamentos modernos através da virtualização. Em casos onde os servidores já foram virtualizados é possível, ainda, conquistar um grau de eficiência superior. Isso é feito por meio da adoção de appliances hiperconvergentes de última geração. De maneira bem simplificada, estes appliances hiperconvergentes integram networking, storage e processamento em um único equipamento sob a supervisão de uma camada única de software. Esta alternativa requer um bom investimento, e um estudo de payback se faz necessário. Equipamentos hiperconvergentes ainda são relativamente novos no mercado e têm sido adotados para aplicações de baixo risco; a expectativa dos analistas, no entanto, é de que nos próximos anos um número crescente de empresas comece a utilizá-los para suporte a aplicações de missão crítica.

Data centers free-cooling: economia e sustentabilidade
A otimização dos servidores é um passo fundamental, mas é preciso ir além para se alcançar uma eficiência operacional de classe mundial. Muitos países latino-americanos tiveram aumentos dramáticos do custo de eletricidade. Por esta razão, uma outra tecnologia que vem ganhando popularidade com os gestores dos mais sofisticados data centers é a tecnologia de free-cooling. Em termos bem simples, free-cooling consiste em aproveitar condições climáticas externas para otimizar o gerenciamento térmico do centro de dados. Dentre as diversas modalidades existentes, o free-cooling indireto é a mais confiável: é o único que evita a injeção de ar externo dentro do data center. Na América Latina é possível reduzir-se o consumo energético de um centro de dados em até 40% com free-cooling, dependendo da localização do data center e da sua arquitetura interna. Os equipamentos necessários para implementar esta tecnologia têm um custo considerável; ainda assim, o período de payback fica entre três ou cinco anos. Tendo em vista que o equipamento é projetado para durar pelo menos 12 anos, o retorno sobre o investimento é atraente.
O interessante é que, mesmo se uma empresa não estiver em condição de investir em free-cooling para o seu próprio centro de dados, há outras maneiras de avançar para esta tecnologia altamente sustentável. É possível, por exemplo, migrar seus servidores para um provedor de serviços que trabalha em modelo de colocation. Todos os líderes de mercado desse segmento estão bem conscientes dos benefícios do free-cooling e já têm estes equipamentos instalados nos seus data centers. Outras vantagens oferecidas pelos sites de colocation são o alto padrão de segurança operacional e o acesso às principais plataformas de cloud computing de maneira segura.
É importante ressaltar a mudança de paradigma que estamos vivendo no mundo da tecnologia. Há dez anos as empresas tinham de fazer a difícil escolha entre aportar milhões de dólares para ter acesso às melhores tecnologias ou se contentar com uma infraestrutura de segunda linha. Hoje, ao contrário, presenciamos mudanças fundamentais na maneira como as tecnologias são entregues e como podem facilmente ser oferecidas como serviços.
Com a arquitetura correta, os CIOs podem ter acesso a equipamentos altamente eficientes e inovadores sem necessariamente ter de fazer investimentos massivos em sua infraestrutura. Do ponto de vista financeiro, isso gera uma tremenda flexibilidade para as companhias sem, no entanto, comprometer a qualidade dos serviços de TI. Mesmo empresas que não têm um corpo técnico para adotar estas tecnologias avançadas podem se beneficiar contratando empresas de cloud e colocation para assessorá-las.
Sim, de fato o mercado latino-americano está vivendo um momento turbulento, mas muitos dos nossos profissionais de TI são arrojados e sabem que investir em tecnologias eficientes sempre compensa. As economias nacionais da nossa região ainda vão precisar de alguns anos para voltar ao normal. Neste meio tempo, a adoção da melhor estratégia tecnológica pode gerar vantagens competitivas para empresas, porque cada real ganho em eficiência operacional de TI poderá ser reinvestido na preservação de talentos, na manutenção de níveis de serviços e, finalmente, resultar em margens de lucro mais saudáveis, mesmo em tempos de crise.

(*) É diretor de Marketing para a América Latina da Emerson Network Power.