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Stellantis abandona as células de hidrogênio

em Tecnologia
quinta-feira, 24 de julho de 2025

Durante muitos anos, defensores do hidrogênio apontaram o elemento como a solução perfeita para uma mobilidade limpa, sendo uma alternativa aos veículos elétricos movidos a bateria, por emitirem apenas vapor d’água pelo escapamento.

Vivaldo José Breternitz (*)

A Stellantis é um gigante do mercado automobilístico, detentora de marcas como Peugeot, Citroën, Fiat, Chrysler e outras.

No entanto, a realidade técnica e econômica do hidrogênio atualmente não corresponde às expectativas e a Stellantis anunciou que está encerrando o desenvolvimento de veículos leves, médios e pesados movidos a hidrogênio, cuja produção estava prevista para começar ainda neste ano.

Outra vantagem do hidrogênio, segundo seus entusiastas, é a rapidez no abastecimento, que seria superior ao tempo de recarga das baterias de íon de lítio, mas, na prática, os demais obstáculos são muitos.

O abastecimento com hidrogênio comprimido pode levar até sete minutos, como revelou a Toyota ao testar o Corolla movido a hidrogênio. Mas é preciso manter o combustível a -253 °C, algo nada prático para uso em escala comercial. Além disso, o hidrogênio tem baixa densidade energética por volume, é difícil de armazenar e sua produção, mesmo com eletricidade renovável, é ineficiente e cara.

Hoje, a maior parte do hidrogênio comercial é produzido por um processo intensivo em energia e longe de ser neutro em carbono. E mesmo que esse problema fosse superado, a infraestrutura para abastecimento veicular com hidrogênio ainda é praticamente inexistente.

Diante desse panorama, a Stellantis decidiu interromper seus projetos, tendo informado que não haverá demissões e que as equipes de pesquisa e desenvolvimento serão redirecionadas para outras iniciativas.

“Num contexto em que a empresa se mobiliza para atender às exigentes regulamentações de CO2 na Europa, a Stellantis decidiu descontinuar o programa de desenvolvimento de tecnologia de célula de combustível a hidrogênio”, declarou Jean-Philippe Imparato, executivo da empresa. “O mercado de hidrogênio segue sendo um nicho, sem perspectivas de sustentabilidade econômica no médio prazo. Precisamos fazer escolhas responsáveis para garantir nossa competitividade e atender às expectativas dos clientes”, disse também Imparato.

Infelizmente, é uma esperança que não se concretiza.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].