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Simplesmente abandonar as redes sociais não é uma grande ideia

em Tecnologia
quarta-feira, 02 de setembro de 2026

A desconexão das redes sociais costuma ser apresentada como uma solução simples para reduzir o estresse decorrente de longos períodos observando postagens feitas por outras pessoas em plataformas como Instagram, TikTok e outras.

Vivaldo José Breternitz (*)

No entanto, um artigo publicado pela revista Scientific Reports contradiz a ideia de que a abstenção das redes sociais automaticamente reduza o estresse.

Um time liderado pela pesquisadora Laura Lemahieu, da Universidade de Antuérpia, realizou uma revisão sistemática de pesquisas anteriores, selecionando dez experimentos em que adultos eram obrigados a se abster completamente das redes.

Essas pesquisas envolveram 4.674 participantes. O foco esteve em três variáveis de bem-estar subjetivo: efeito positivo (entusiasmo, energia), efeito negativo (tristeza, ansiedade) e satisfação com a vida em geral.

Os resultados impressionaram: não se encontrou evidência de que a abstinência das redes sociais melhorasse diretamente o bem-estar. Deixar Instagram, Facebook, X ou outros não aumentou a alegria nem reduziu emoções desagradáveis. O mais surpreendente é que a duração da abstinência não influenciou os resultados: era a mesma coisa estar desconectado um dia ou quase um mês (até 28 dias).

Segundo os pesquisadores, os benefícios de abandonar essas plataformas e deixar de receber notificações e de comparar nossa vida cheia de altos e baixos com a aparente felicidade constante das outras pessoas, são anulados pelos prejuízos causados pela abstinência, como o tédio e a sensação de isolamento. O resultado líquido é absolutamente neutro.

Para Lemahieu e sua equipe, a desconexão abrupta não é o caminho ideal; para o futuro, propõem investigar estratégias alternativas e mais sustentáveis de desconexão, como aprender a regular o uso cotidiano estabelecendo limites diários de tempo ou desligar notificações específicas para não prejudicar a vida social ativa. Além disso, destacam a necessidade de realizar estudos envolvendo prazos mais longos e com amostras mais diversificadas, já que a maioria dos experimentos analisados envolveu principalmente estudantes universitários ocidentais.

Outros estudos chegaram a conclusões parecidas. Assim, a solução não parece ser um exílio digital temporário que nos encha de ansiedade, mas sim aprender a consumir conteúdos impondo limites ao tempo em que nos dedicamos a isso.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].