
O CEO da Salesforce, Marc Benioff disse à Bloomberg que “entre 30 e 50% do trabalho que era realizado por pessoas na empresa está sendo feito por inteligência artificial”.
Vivaldo José Breternitz (*)
Com cerca de 72 mil funcionários, a Salesforce é uma das maiores empresas de software do mundo, especializada principalmente em soluções de gestão de relacionamento com o cliente (CRM) baseadas na nuvem.
A empresa oferece uma ampla gama de produtos para vendas, atendimento ao cliente, marketing, análise de dados, comércio eletrônico e desenvolvimento de aplicativos.
Segundo Benioff, “todos precisamos entender que a IA pode fazer coisas que antes nós fazíamos. Isso nos permite focar em tarefas de maior valor agregado” – esse discurso, de tom otimista, esconde uma verdade: ao menos por enquanto, o desemprego gerado por IA tende a aumentar – a Salesforce, no início do ano, anunciou a demissão de cerca de 1.000 funcionários.
Ironicamente, a empresa divulgou planos para contratar outros 1.000 profissionais, que estarão focados na venda da tecnologia Agentforce, da própria Salesforce, que promove a adoção da IA para automatizar atividades tradicionalmente desempenhadas por pessoas, muitas das quais perderão seus empregos.
Esse cenário acende um alerta que parece estar se espalhando. No início de junho, o CEO da Amazon, Andy Jassy, escreveu aos funcionários destacando a ampliação do uso de ferramentas de IA generativa na empresa. Ele admitiu que, no futuro, a companhia provavelmente precisará de menos pessoas do que emprega atualmente.
Com o setor de tecnologia buscando novas formas de reduzir custos e aumentar a eficiência, outras empresas já anunciam cortes de pessoal enquanto investem pesadamente em IA. A Microsoft, por exemplo, demitiu mais de 6.000 pessoas em maio e estaria promovendo uma nova rodada de dispensas. O Google também estaria enxugando equipes em diversos departamentos.
O site especializado Layoffs.fyi estima que mais de 63 mil empregos americanos foram eliminados na indústria de tecnologia apenas em 2025 — com fortes indícios de que a IA é, ao menos em parte, responsável por esse cenário.
Para Benioff, estamos vivendo uma “revolução do trabalho digital”. Ele afirma que os agentes de IA da Salesforce já atingem cerca de 93% de precisão nas tarefas que executam. “É um número bastante bom, mas atingir 100% não é realista”, ponderou, acrescentando que empresas que operam na forma tradicional tem números piores.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].

