
Uma professora aposentada foi algemada e presa na semana passada por um motivo incomum: permanecer parada na calçada diante de um robô de entregas.
Vivaldo José Breternitz (*)
O fato aconteceu em Filadelfia, cidade de cerca de 1,6 milhões de habitantes situada na costa leste dos Estados Unidos.
Segundo a emissora de TV 6ABC, Carolyn Marvin, de 78 anos, foi detida no centro da cidade após posicionar-se deliberadamente na trajetória de um robô de entregas da empresa Avride. A professora de Comunicação da Universidade da Pensilvânia afirmou que protestava contra a expansão desse tipo de tecnologia devido ao impacto que ela tem sobre os trabalhadores do setor de entregas.
“Sei que esses robôs estão tomando os empregos dos entregadores humanos”, disse a Professora à emissora. “Por isso, sempre que vejo um deles, protesto ficando na frente e impedindo que continue avançando”.
O episódio atraiu um pequeno grupo de curiosos, que acompanhou a ação enquanto policiais ordenavam que a aposentada saísse da frente do robô. Diante da recusa, e após ela alegar que estava exercendo seu direito à livre manifestação, os agentes efetuaram a prisão; a professora foi acusada de promover desordem, mas disse que pretende contestar a acusação na Justiça e que continuará bloqueando esses robôs.
Em outra entrevista, dada à emissora KYW Newsradio, a aposentada afirmou que o objetivo do protesto era denunciar “a forma impiedosa como grandes corporações estão descartando trabalhadores humanos, neste caso os humildes entregadores, para aumentar seus lucros”.
É um pequeno gesto, mas que deve, no mínimo, levar toda a sociedade a refletir sobre a substituição de pessoas por máquinas.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor, pesquisador da Faculdade de Medicina de Jundiaí e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



