
Todos sabemos que a Terra vem se aquecendo desde o início da Revolução Industrial.
Vivaldo José Breternitz (*)
Há muito tempo céticos argumentam que esse processo de aquecimento não teria relação direta com a queima de grandes volumes de combustíveis fósseis. Mas uma nova pesquisa publicada na revista Geophysical Research Letters sugere que essa tese pode estar com os dias contados.
O estudo revela que o aquecimento global não segue apenas um ritmo constante: ele está acelerando de forma surpreendente e preocupante. Entre 2015 e 2025, a temperatura média da Terra aumentou 0,35 °C, em comparação com cerca de 0,2 °C por década entre 1970 e 2015. Para chegar a esses números, os autores analisaram grandes conjuntos de dados referentes à temperatura global, eliminando efeitos de fenômenos como El Niño, ciclos solares e atividade vulcânica.
“Reduzimos o “ruído” dos fatores naturais, deixando claros os sinais de aquecimento no longo prazo”, explicou Grant Foster, estatístico coautor do estudo. Os resultados são contundentes: a aceleração tem mais de 98% de certeza estatística, a primeira evidência significativa de que o planeta não apenas está se aquecendo, mas o faz cada vez mais rápido.
O alerta é sério. Stefan Rahmstorf, oceanógrafo e climatologista, também coautor do estudo, advertiu que esse ritmo pode levar o mundo a ultrapassar o limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris antes de 2030, um fato que especialistas associam a consequências devastadoras para o planeta. “Se a taxa de aquecimento dos últimos dez anos continuar, ultrapassaremos o limite de 1,5 °C antes de 2030”, afirmou Rahmstorf. “O futuro depende de quão rápido conseguiremos reduzir as emissões de CO2 provenientes dos combustíveis fósseis até chegarmos a zero”, complementou.
Esse é um problema que afeta a sociedade como um todo; não podemos ignora-lo, pois estaremos enfrentando cada vez mais eventos climáticos extremos se algo não for feito com urgência.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



