
Demorou, mas está começando a acontecer: a OpenAI anunciou que começará a exibir anúncios no ChatGPT, tentando ampliar sua receita para bancar seus altos custos de desenvolvimento e processamento.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo a empresa trata-se de um teste: os anúncios serão exibidos aos usuários do seu plano gratuito e aos do recém-lançado ChatGPT Go, seu plano mais barato, lançado inicialmente na Índia a um preço de cerca de US$ 8 mensais. Os anúncios devem começar a aparecer nas próximas semanas e serão exibidos separadamente das respostas geradas pelo chatbot.
Os usuários dos planos mais caros, Plus, Pro, Business e Enterprise não verão publicidade. A OpenAI também garantiu que os anúncios não influenciarão as respostas do ChatGPT e que as conversas dos usuários não serão compartilhadas com anunciantes.
A medida representa uma mudança significativa na estratégia da companhia, que até agora dependia principalmente de assinaturas. A decisão reflete a pressão para aumentar a receita em meio aos gastos bilionários com data centers e à preparação para um lançamento de ações através de uma IPO.
A startup, que ainda opera com prejuízo, planeja investir mais de US$ 1 trilhão em infraestrutura para inteligência artificial até 2030, mas não detalhou como pretende financiar esse investimento.
Analistas avaliam que a publicidade pode abrir uma nova e robusta fonte de receita, considerando os 800 milhões de usuários ativos semanais do ChatGPT. No entanto, alertam que a iniciativa pode irritar parte da base de clientes e afetar a confiança no produto. “Se os anúncios parecerem forçados ou oportunistas, os usuários podem migrar facilmente para concorrentes como o Gemini, do Google, ou o Claude, da Anthropic”, disse Jeremy Goldman, analista da Emarketer.
Ele acrescentou que a decisão deve levar os concorrentes à revisão de suas próprias estratégias de monetização, especialmente aqueles que se posicionam como “livres de anúncios por design”.
A OpenAI informou ainda que não exibirá anúncios para menores de 18 anos e que pretende bloquear publicidade relacionada a temas sensíveis, como saúde e política. “Planejamos testar anúncios ao final das respostas no ChatGPT quando houver um produto ou serviço patrocinado relevante à conversa”, afirmou a empresa em comunicado.
O mercado publicitário, por sua vez, vê com otimismo o uso da inteligência artificial para melhorar o desempenho em buscas e redes sociais, apostando na integração da tecnologia aos sistemas de recomendação de anúncios.
Parece que os chatbots estão entrando em uma nova fase.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




