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OpenAI e Amazon assinam contrato de US$ 38 bilhões

em Tecnologia
quarta-feira, 05 de novembro de 2025

A OpenAI firmou um acordo no valor de US$ 38 bilhões com a Amazon Web Services (AWS) para que esta processe seus produtos de inteligência artificial, como o ChatGPT e Sora.

Vivaldo José Breternitz (*)

O acordo garante à OpenAI acesso imediato a centenas de milhares de processadores gráficos da Nvidia, instalados em computadores da AWS e essenciais para treinar e executar seus modelos de IA.

A AWS começará a fornecer os serviços imediatamente, com toda a capacidade contratada disponível até o fim de 2026 e possibilidade de expansão em 2027 – o acordo tem validade de sete anos. Par atender a OpenAI, a Amazon pretende instalar chips de última geração, como os aceleradores Nvidia GB200 e GB300, em clusters de dados dedicados à geração de vídeos por IA, respostas do ChatGPT e treinamento de novos modelos.

A crescente demanda por modelos generativos de IA exige uma infraestrutura computacional robusta. Com a escassez global de chips nos últimos anos, encontrar fontes confiáveis tem sido um desafio. A OpenAI, inclusive, estaria desenvolvendo seu próprio hardware de GPU para aliviar essa pressão.

Sam Altman, CEO da OpenAI, revelou planos ambiciosos: investir US$ 1,4 trilhão para desenvolver 30 gigawatts de capacidade computacional, o suficiente para abastecer com energia elétrica cerca de 25 milhões de residências nos EUA. Ele também mencionou a meta de adicionar 1 gigawatt por semana, o que equivale à produção de uma usina nuclear típica. Cada gigawatt, segundo a Reuters, custa mais de US$ 40 bilhões.

As necessidades da OpenAI superam a capacidade da Microsoft, até então praticamente seu único provedor de serviços – ainda assim, esta continua essencial: as empresas assinaram contrato no valor US$ 250 bilhões para serviços de processamento.

A OpenAI também já havia firmado acordos com o Google em junho, e com a Oracle em setembro, para garantir infraestrutura adicional. O contrato com a Oracle prevê US$ 300 bilhões em poder computacional por cinco anos.

Apesar do entusiasmo dos investidores, o cenário da IA não é totalmente promissor. A receita anualizada da OpenAI deve atingir US$ 20 bilhões até o fim do ano, mas seus prejuízos também estão crescendo. Avaliações inflacionadas, investimentos circulares e compromissos bilionários levantam dúvidas sobre a sustentabilidade do setor – há quem diga que IA é uma bolha prestes a estourar.

Enquanto isso, a OpenAI estaria preparando uma oferta pública inicial de ações (IPO) no valor de até US$ 1 trilhão. Se esse valor faz sentido para uma companhia que consome recursos mais rápidamente do que os gera, é uma questão que ainda divide analistas e investidores.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].