
A primeira travessia transatlântica oficialmente registrada ocorreu há mais de cinco séculos, quando Cristóvão Colombo navegou para o oeste em busca de uma nova rota para a Ásia.
Vivaldo José Breternitz (*)
Em vez da China, ele chegou às Bahamas, mas essa viagem lançou as bases para as Américas como as conhecemos hoje e abriu caminho para as muitas travessias do Oceano Atlântico que ocorreram e ainda estão acontecendo neste exato momento.
Enquanto os primeiros navios de carga e passageiros nos anos 1700 podiam levar cerca de um mês para cruzar os cerca de 5.500 quilômetros do oceano Atlântico que separam a Europa da América do Norte, os marinheiros daquela época provavelmente não imaginavam que os aviões chegariam e reduziriam a viagem para as sete ou oito horas que temos hoje.
No entanto, só atingimos essas velocidades após a Segunda Guerra Mundial, quando os jatos se tornaram viáveis – por via aérea, quem iniciou essas viagens foram os hidroaviões.
Por mais lentos que fossem os hidroaviões, eles ainda encurtaram as viagens de uma semana dos transatlânticos que os antecederam para pouco mais de um dia. Em 28 de junho de 1939, o Boeing 314 Dixie Clipper, operado pela Pan American Airways, foi o primeiro hidroavião a levar passageiros comerciais através do oceano, e o fez em cerca de 30 horas de voo.
No entanto, uma parada noturna em Lisboa e o reabastecimento nos Açores elevaram o tempo total da viagem para cerca de 42 horas. Não foi o primeiro voo transatlântico, mas foi o primeiro com passageiros pagantes.
Antes do Dixie Clipper decolar de Nova York, a Pan Am teve que trabalhar muito para levar passageiros pagantes. Primeiramente, o Boeing 314 teve que ser construído especificamente para viagens transoceânicas de longo alcance. Quando a Pan Am pediu à Boeing que criasse um hidroavião capaz de voos de longa distância, a Boeing se inspirou um protótipo, o do bombardeiro XB-15, que tinha uma envergadura de 46 metros – um Boeing 747 pode ter uma envergadura que chega a 69 metros.
Foram construídos 12 Boeings 314, com quatro motores, tanques de combustível nas asas e cabines duplas espaçosas mais parecidas com as de um vagão de trem de luxo do que um avião – em algumas dessas unidades havia uma “cabine nupcial”, para passageiros em lua de mel. O Dixie Clipper acabou sendo um avião presidencial histórico, que levou o Presidente Roosevelt à Conferência de Casablanca em Marrocos, em 1943.
Com o avião pronto, a Civil Aeronautics Authority (agora conhecida como Federal Aviation Administration) exigiu que a aeronave fosse testada extensivamente, inclusive tendo acontecido um voo transportando pessoal da imprensa em 17 de junho, antes do voo inaugural. Quando as autoridades ficaram satisfeitas, o Dixie Clipper partiu de Nova York rumo a Marselha, com escala e pernoite em Lisboa.
Em sua viagem inaugural, transportou uma tripulação de 12 pessoas e apenas 22 passageiros, alguns dos quais haviam pago a passagem de US$ 375 (só de ida) ou US$ 675 (ida e volta) com bastante antecedência (mais de US$ 15 mil, ajustados pela inflação).
Entre os passageiros estavam o presidente da Pan Am, Cornelius Vanderbilt Whitney, e uma entusiasta da aviação, Clara Adams, que desfrutaram de luxuosos beliches, lounges e mesas de jantar com toalhas de linho e talheres de prata.
Hoje viaja-se muito mais depressa, mas em termos de conforto, talvez estejamos mais próximos dos navios do século XVIII do que do Boeing 314…
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].
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