
Fortemente baseado em tecnologia, o Airbnb é uma empresa bilionária, conhecida como “a maior rede de hotéis do mundo sem possuir nenhum quarto”. Foi fundada em 2008.
Vivaldo José Breternitz (*)
Seus criadores, Brian Chesky e Joe Gebbia tinham uma ideia, mas não tinham dinheiro – para conseguir algum, aproveitaram a campanha eleitoral americana daquele ano que opunha Barak Obama a John McCain e lançaram no mercado cereais cujas caixas mostravam caricaturas dos candidatos. Cada cereal tinha um nome divertido e ligado ao candidato: ObamaO’s para o democrata e Cap’n McCain’s, para o republicano.
Os próprios fundadores, que eram designers, projetaram as caixas, mandaram imprimir mil delas, compraram cereais baratos que já estavam no mercado (Cherrios e Captain Crunch) e os embalaram – fizeram isso em seu apartamento, fechando as caixas com uma pistola de cola quente.
Por alguma razão desconhecida, Chesky, Gebbia e seu cereal tiveram a sorte de aparecer em uma rede nacional de TV, fazendo com que as mil caixas fossem todas vendidas em um único dia, a US$ 40 cada uma (um preço exorbitante) e deixando 30 mil dólares líquidos para os empreendedores – esse dinheiro foi suficiente para manter o negócio funcionando por alguns meses, até ser aceito por um programa de aceleração de startups do Vale do Silício e realmente iniciar sua trajetória de sucesso.
Um ano depois, a empresa tinha quinze funcionários, trabalhando no mesmo apartamento; para abrir espaço, Chesky deixou o local e foi viver em um imóvel locado via Airbnb. Mas a ideia já era realmente um êxito: até o final de 2010, investidores colocaram quase 8 milhões de dólares na empresa, que já havia vendido mais de 700 mil noites de hospedagem.
O crescimento tem sido contínuo: escritórios foram abertos em diversos países e novos tipos de serviço criados, desde a oferta de imóveis mais luxuosos até aqueles de custo muito mais baixo, destinados a vítimas de desastres naturais, como o tufão Sandy, que atingiu Nova Iorque em 2012 e a refugiados e imigrantes ilegais.
As empresas hoteleiras têm procurado, sem muito sucesso, combater o Airbnb, acusando-o de concorrência desleal, porém parece que a trajetória de crescimento deve continuar; mais de 5,5 milhões de anfitriões já receberam bilhões de hóspedes em quase todos os países e o Airbnb é avaliado em mais de US$ 100 bilhões.
Para empreendedores, competência é importante, mas sorte ajuda muito…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
Airbnb acha que ainda é cedo para usar IA no planejamento de viagens | Jornal Empresas & Negócios



