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Nova geração da pesquisa usa IA para aprofundar respostas e compreender comportamentos

em Tecnologia
terça-feira, 07 de julho de 2026

Durante décadas, o principal desafio da pesquisa de mercado foi a coleta de dados. Agora, em um cenário marcado pelo excesso de informação e pelo avanço da inteligência artificial, a dificuldade passa a ser outra: transformar dados em contexto, em compreensão e em decisões mais precisas. Foi a partir dessa mudança que a HSR Tech, unidade de tecnologia e inovação da HSR Specialist Researchers, o maior grupo independente de pesquisa da América Latina, apresentou, durante o Web Summit Rio 2026, o FastVoices, uma solução que utiliza inteligência artificial conversacional para aprofundar as respostas e ampliar a compreensão dos comportamentos, percepções e motivações dos consumidores.

Segundo Michel Begio Sinhoretti, liderança de tecnologia e dados da HSR Tech, a inteligência artificial já vem transformando diversas etapas da pesquisa, automatizando processos que antes consumiam tempo das equipes e acelerando a análise de grandes volumes de informação. Mas, para ele, a discussão não deveria se concentrar apenas na produtividade. “O principal desafio das organizações não é mais a falta de dados. Nunca tivemos tanta informação disponível. O desafio agora é transformar dados em contexto, clareza e melhores decisões. É exatamente nesse ponto que a inteligência artificial pode gerar valor.”

A proposta do FastVoices nasce justamente dessa evolução de perspectiva. A solução utiliza agentes conversacionais capazes de interagir com os participantes durante a própria pesquisa e não deixa, em nenhum momento, de usar o rigor e a ética metodológica. À medida que as respostas são fornecidas, o sistema aprofunda temas, explora motivações e conduz a conversa de forma dinâmica, gerando informações mais ricas sem comprometer a robustez estatística do estudo.

Vantagens do modelo conversacional
Com a IA conversacional, os especialistas da HSR conseguem aprofundar alguns entendimentos durante a própria entrevista. Isso gera respostas mais completas e amplia a capacidade de compreender comportamentos e contextos.

Em uma pesquisa sobre a Copa do Mundo, na qual a tecnologia foi aplicada, por exemplo, agentes conversacionais foram utilizados para explorar expectativas dos brasileiros em relação ao torneio, hábitos de consumo de conteúdo e percepções sobre a convocação da seleção. Em vez de apenas registrar respostas, o modelo aprofundou os temas conforme o interesse demonstrado pelos participantes, enriquecendo as informações coletadas.

“O que observamos foi um ganho importante na qualidade das informações coletadas. Conseguimos capturar mais contexto, mais detalhes e uma compreensão muito mais rica sobre as percepções das pessoas”, relatou Michel.

Experiências como essa ajudam a responder a uma das principais discussões que surgem com o avanço da inteligência artificial: qual será o papel dos pesquisadores em um ambiente cada vez mais automatizado?

Para Michel, a evolução da tecnologia não reduz a importância dos especialistas. Pelo contrário, a inteligência artificial é uma ferramenta extremamente poderosa, mas continua sendo uma ferramenta. “O valor está na capacidade de formular as perguntas certas, desenhar metodologias robustas e interpretar resultados com profundidade. Sem isso, corremos o risco de produzir respostas rápidas para perguntas erradas.”

A próxima geração da inteligência de mercado será definida mais pela capacidade de compreender profundamente as pessoas. “IA sem repertório metodológico gera velocidade. IA combinada com décadas de experiência gera inteligência de negócio”, finaliza.

O impacto da Inteligência Artificial no processo de inovação das empresas – Jornal Empresas & Negócios