
A Meta, o antigo Facebook, estuda realizar uma nova rodada de demissões que pode atingir 20% ou mais de seus funcionários.
Vivaldo José Breternitz (*)
A informação foi dada por três fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters; a iniciativa estaria ligada à necessidade de compensar os elevados investimentos da empresa em infraestrutura de inteligência artificial e de aproveitar os ganhos de eficiência proporcionados pelo uso crescente de ferramentas de IA.
Ainda não há uma data definida para os cortes, e o tamanho final da redução de pessoal também não foi decidido, afirmaram as fontes – no final de 2025, a Meta empregava cerca de 79 mil pessoas.
Nos últimos dias, executivos da companhia teriam comunicado o plano seus imediatos e determinado que começassem a elaborar propostas para reduzir equipes. As fontes falaram sob condição de anonimato por não terem autorização para discutir o assunto publicamente.
Procurado pela Reuters, o porta-voz da empresa, Andy Stone, afirmou que se trata apenas de especulações, o que provavelmente não é verdade.
Caso os cortes se confirmem no patamar de 20%, esta será a maior redução de pessoal desde a reestruturação promovida entre o fim de 2022 e o início de 2023, período que a empresa chamou de “ano da eficiência”.
Em novembro de 2022, a Meta demitiu 11 mil funcionários, o equivalente a cerca de 13% de sua força de trabalho à época. Cerca de quatro meses depois, fez mais 10 mil cortes.
Nos últimos meses, o CEO Mark Zuckerberg tem intensificado a aposta da companhia no desenvolvimento de inteligência artificial. A Meta chegou a oferecer pacotes de remuneração avaliados em centenas de milhões de dólares ao longo de quatro anos para atrair profissionais de destaque para uma nova equipe dedicada à chamada superinteligência.
A empresa também anunciou planos de investir US$ 600 bilhões até 2028 na construção de novos centros de dados. No início da semana passada, adquiriu a plataforma social voltada para agentes de IA Moltbook. Além disso, também segundo a Reuters, a Meta está desembolsando pelo menos US$ 2 bilhões para comprar a startup chinesa de IA Manus AI.
Zuckerberg tem mencionado publicamente os ganhos de produtividade esperados com essas iniciativas. Em janeiro, afirmou que já observa projetos que antes exigiam grandes equipes sendo executados por uma única pessoa altamente qualificada, com apoio de ferramentas de IA.
A estratégia da Meta reflete um movimento cada vez mais comum entre grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, que vêm citando avanços recentes em inteligência artificial como causa de reorganizações.
Os novos investimentos da Meta também ocorrem após dificuldades enfrentadas no desenvolvimento de seu modelo de IA Llama 4 no ano passado. A empresa foi criticada por apresentar resultados considerados enganosos em testes comparativos iniciais e acabou cancelando o lançamento da maior versão do modelo, chamada Behemoth, que estava prevista para meados deste ano.
Agora, a equipe de superinteligência trabalha em um novo modelo, conhecido internamente como Avocado, com o objetivo de recuperar a posição da empresa na corrida global pela liderança em inteligência artificial. Ainda assim, segundo as fontes da Reuters, o desempenho inicial desse modelo também ficou abaixo das expectativas.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


