37 views 3 mins

Mais um estudo liga inteligência artificial a problemas cognitivos

em Tecnologia
quarta-feira, 29 de abril de 2026

No ano passado, uma equipe de pesquisadores do MIT liderada pela cientista Nataliya Kosmyna, utilizou eletroencefalogramas para monitorar a atividade cerebral de estudantes enquanto escreviam redações curtas, com temas abertos.

Vivaldo José Breternitz (*)

Os 54 participantes foram divididos em três grupos: um deveria usar o ChatGPT, outro podia recorrer ao Google, mas sem usar os resumos gerados por inteligência artificial e o terceiro precisava confiar apenas em seus próprios conhecimentos. Cada grupo produziu uma redação por mês, durante três meses. No quarto mês, parte dos estudantes foi instruída a mudar de estratégia, passando a usar ou deixando de usar o ChatGPT.

Os resultados do experimento, descritos em um artigo ainda não revisado por pares, foram preocupantes. Segundo os pesquisadores, os alunos que recorreram ao ChatGPT “apresentaram desempenho consistentemente inferior nos níveis neural, linguístico e comportamental” e tornaram-se mais preguiçosos a cada nova redação. “O cérebro não chegou a “adormecer”, mas houve muito menos ativação nas áreas ligadas à criatividade e ao processamento de informações”, disse Kosmyna em entrevista à BBC.

Além disso, os participantes que usaram o chatbot tiveram dificuldade em citar trechos de seus próprios textos, o que reforça estudos anteriores que apontam para um impacto negativo da IA na capacidade de memorização e de recuperação de informações. A questão da originalidade também surgiu: uma professora envolvida na pesquisa chegou a perguntar se os alunos que usavam o ChatGPT “estavam sentados lado a lado, porque os textos eram muito semelhantes”.

O estudo funciona como um alerta para um fenômeno que começa a ser investigado: o uso intensivo de chatbots pode estar nos levando a “terceirizar” parte do pensamento, enfraquecendo gradualmente nossas habilidades cognitivas.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia também observaram que, em pesquisa que desenvolveram, diante de perguntas envolvendo raciocínio e conhecimento, os participantes preferiram recorrer ao ChatGPT, comportamento que chamaram de “rendição cognitiva”.

Em resumo: ainda há muito a ser compreendido sobre os efeitos da inteligência artificial na mente humana, mas, como destacou Kosmyna, é preciso investiga-los com urgência, sobretudo porque “nosso cérebro adora encontrar atalhos cognitivos”.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

Tecnologia de vozes artificiais é a solução para conteúdo acessível – Jornal Empresas & Negócios