
Cidades de sete estados americanos informaram ter sofrido ataques cibernéticos direcionados aos sistemas de tratamento e distribuição de água.
Vivaldo José Breternitz (*)
Autoridades locais e federais levantaram a hipótese de envolvimento do Irã, apesar de segundo o New York Times, ainda não existirem provas de que aquele país esteja por trás das ações.
Um detalhe chama a atenção: os atacantes não fizeram qualquer exigência financeira, o que reforça a suspeita de que se trata de ações deflagradas por outro país, motivadas por objetivos políticos e estratégicos e não por dinheiro.
Minnesota foi o primeiro estado a reportar ataques, seguido por Michigan. Até o momento, não aconteceram interrupções longas dos serviços ou ações que tornassem a água imprópria para consumo, mas as autoridades permanecem em alerta, sobretudo em relação a cidades que tem sistemas conectados à internet que monitoram a qualidade da água e controlam tratamentos químicos e a pressão.
Na pequena cidade de Braham, Minnesota, com menos de 2 mil habitantes, o prefeito Nate George afirmou que o município já recebeu orientações para reforçar sua defesa digital. No momento, o controle do abastecimento está sendo feito manualmente. “O que preocupa é como avançar para um sistema mais seguro. Atualizar a infraestrutura de TI é muito caro, e somos uma cidade muito pequena”, disse George.
Enquanto alguns órgãos federais reforçam a suspeita de envolvimento iraniano, Trump minimizou a gravidade da situação, ao afirmar não acreditar em ataques iranianos.
Estes são os primeiros episódios em que serviços essenciais dentro do território americano são atingidos nesta guerra. A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura já havia alertado para possíveis ofensivas iranianas, mas municípios menores continuam vulneráveis.
Por sua vez, o Irã já havia sofrido ciberataques, que muitos especialistas dizem ter partido dos EUA. O mais famoso desses foi o Stuxnet, em 2009, que danificou equipamentos críticos do programa nuclear iraniano. Mais recentemente, o malware CanisterWorm apagou dados de sistemas críticos, sem que ninguém reivindicasse a autoria.
A guerra moderna já inclui o ciberespaço como um “quinto domínio”, ao lado de terra, mar, ar e espaço, e agora só resta esperar as próximas batalhas.
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



