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Inteligência artificial e desemprego: outro alerta

em Tecnologia
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Andrew Yang, empresário milionário e ex-candidato à presidência dos EUA, lançou um alerta sombrio aos profissionais assalariados: a inteligência artificial está prestes a eliminar milhões de empregos de escritório nos próximos meses.

Vivaldo José Breternitz (*)

É mais um aviso dado por pessoa qualificada: em um texto publicado na plataforma Substack e replicado pelo portal Business Insider, importante portal de notícias sobre negócios e finanças, Yang descreveu o que chama de “grande esvaziamento dos empregos de colarinho branco” que acredita será provocado pela inteligência artificial.

“Se você passa o dia sentado à mesa trabalhando com um computador, leve isso muito a sério”, disse Yang.

Segundo ele, a onda de automação trazida pela IA irá desempregar milhões de trabalhadores de escritório em um prazo que oscila de 12 a 18 meses. “À medida que uma empresa começar a demitir, todas as concorrentes seguirão o mesmo caminho. Virará competição, porque o mercado de ações recompensa quem corta pessoal e pune quem não corta”, escreveu.

Yang prevê que profissionais de escritório em início e meio de carreira serão os primeiros atingidos. Hoje, há cerca de 70 milhões de trabalhadores de escritório nos EUA, mas esse número pode cair de 20% a 50% nos próximos anos, alertou.

Yang chegou a aconselhar profissionais de média gerência, especialmente aqueles que possuem casas em áreas caras do Vale do Silício ou de Westchester County, em Nova York, a venderem seus imóveis antes que o “jobpocalypse” provoque uma corrida desenfreada de vendas, reduzindo seus preços. “Pode não ser agradável ser o primeiro, mas você não deve ser o último”, escreveu.

Como muitos não conseguirão manter o padrão de vida sem emprego, o impacto, segundo ele, atingirá também trabalhadores que dependem dos assalariados, tais como pessoal do comércio e de restaurantes, cabeleireiros, faxineiros e outros prestadores de serviços.

Yang alerta para um cenário de maior desigualdade e tensão social, já que a riqueza gerada pela explosão dos investimentos em IA ficará concentrada nas mãos de poucos. “Imagine o que as pessoas vão pensar quando todos nos sentirmos como servos dos senhores da IA que destruíram nossos empregos?”, questionou.

Apesar do tom apocalíptico, Yang não oferece soluções concretas além de uma vaga referência à renda básica universal. “Esperem tempos incrivelmente difíceis, atravessando gerações”, concluiu. “Façam o que puderem por vocês e por quem está ao seu redor”.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].