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Grandes empresas repensam o uso de IA devido a custos elevados

em Tecnologia
sexta-feira, 29 de maio de 2026

O entusiasmo das grandes companhias com ferramentas de inteligência artificial parece estar dando sinais de desgaste.

Vivaldo José Breternitz (*)

A Microsoft, segundo o portal The Verge, estaria incentivando seus funcionários a trocar o Claude Code pelo Copilot, ferramenta da própria Microsoft. O motivo não seria apenas a preferência por tecnologia própria, mas também o aumento expressivo nos custos de utilização do Claude Code.

Esse custo é apurado pelo número de tokens processados: tokens em inteligência artificial são as menores unidades de informação que as ferramentas de IA utilizam para processar, compreender e gerar conteúdo. Em textos, um token pode ser uma palavra, parte de uma palavra ou alguns caracteres; em imagens, áudios e vídeos, tokens representam fragmentos dessas informações. Assim, quanto mais as ferramentas são utilizadas, maior é o preço a pagar ao fornecedor da mesma.

Acreditando que o uso intensivo de IA vai gerar melhores resultados, muitas empresas incentivam, até mesmo sob a ameaça de demissão, seus funcionários a utilizarem essas ferramentas, o que gera um fenômeno que vem sendo chamado “tokenmaxxing”, quando em empresas como Amazon, Microsoft e Meta, funcionários tem usado IA até em tarefas desnecessárias para inflar métricas internas, apenas para mostrar que usam IA intensamente.

Além disso, à medida que mais pessoas utilizam o sistema em uma empresa, mais cresce o número de tokens processados e consequentemente, o custo de utilização da ferramenta.

A Microsoft não está sozinha; a revista Fortune disse que outras empresas também estão repensando o uso de IA, pois o consumo de tokens disparou, especialmente quando são usados Agentes de IA, ferramentas capazes de executar tarefas mais complexas e que podem gastar milhares de vezes mais tokens do que quando o software responde apenas a uma consulta.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, evidentemente interessado em um uso cada vez maior de IA, o que aumenta a demanda por seus produtos, chegou a defender que profissionais consumam tokens equivalentes a metade de seus salários anuais, incentivando o “tokenmaxxing”.

Ainda não está claro se as medidas da Microsoft se transformarão em uma forte tendência, mas o fato é que, se o consumo de tokens continuar crescendo sem uma queda significativa de preços, a tentativa de substituir pessoas por máquinas pode acabar se tornando um tiro no pé.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

Por que as empresas devem tratar a política de uso da IA com a mesma seriedade que a LGPD? – Jornal Empresas & Negócios