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Executivos da Volkswagen condenados por fraudar controles de emissão de poluentes

em Tecnologia
terça-feira, 27 de maio de 2025

Quatro antigos executivos da Volkswagen acabam de ser condenados por seu envolvimento no Dieselgate, escândalo de fraude nas emissões de poluentes, episódio que transformou o mercado de automóveis na Europa.

Vivaldo José Breternitz (*)

O veredito, proferido após um julgamento que durou três anos em Braunschweig, na Alemanha, marca mais um capítulo de uma história que já dura uma década e que redefiniu a relação do continente com os carros movidos a motores diesel.

Jens Hadler, ex-diretor de desenvolvimento de motores diesel da VW, recebeu a pena mais severa: quatro anos e meio de prisão. Segundo os juízes, ele foi o principal responsável por uma fraude considerada “particularmente grave”.

Sua equipe instalou um software que permitia aos veículos reconhecerem quando estavam sendo inspecionados por órgãos do governo, ativando um modo de operação “limpo” que levava à sua aprovação; no uso cotidiano, os motores geravam poluentes em níveis até 40 vezes maiores – o esquema fraudulento funcionou de 2009 a 2015, envolvendo cerca de 11 milhões de veículos.

As consequências do escândalo impactaram o mercado europeu: antes de 2015, os carros a diesel representavam mais da metade do mercado automotivo europeu, pois eram apresentados como alternativa menos poluente em relação aos movidos a gasolina. Hoje, essa participação caiu para apenas 10% das vendas de veículos novos.

O caso também acelerou a transição da Europa rumo à eletrificação. Atualmente, veículos elétricos e híbridos plug-in representam 25% das vendas de automóveis no continente.

Apesar da fraude, a Volkswagen acabou se tornando a principal fabricante de veículos elétricos da Europa, vendendo, segundo o The New York Times, três vezes mais carros elétricos que a Tesla no mês de abril passado.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].