Europa: uma nova arma contra o ransomware

Chama-se ransomware o crime praticado por hackers que invadem um computador e criptografam os arquivos nele contidos, impedindo que sejam usados e cobrando um resgate para fornecer uma chave que permita a volta desses arquivos ao normal.

Vivaldo José Breternitz (*)

Quase sempre as vítimas pagam o resgate, o que estimula novos ataques. No entanto, esse crime vem sendo enfrentado na Europa com uma nova arma, que já ajudou mais de 1,5 milhão de vítimas a descriptografar seus arquivos sem pagar resgate, impedindo que cerca de US$ 1,5 bilhão acabassem nas mãos de criminosos. Os números são da Europol, que pode ser entendida como a polícia da União Europeia, no aniversário do No More Ransom, o programa anti-ransomware criado por ela.

Quando lançado em 2016, o programa reunia a Europol, a polícia holandesa e algumas empresas de cibersegurança, que colocaram à disposição das vítimas, gratuitamente, quatro softwares para descriptografia.

O No More Ransom recebeu a adesão de mais polícias, governos, universidades e empresas, oferecendo hoje 136 ferramentas de descriptografia que podem combater 165 tipos de ransomware, incluindo alguns dos mais populares, como GandCrab, REvil, Maze.

São 188 parceiros que mantem um portal disponível em 37 idiomas para ajudar as vítimas de ataques em todo o mundo. No entanto, a Europol não acredita que a batalha está vencida, especialmente porque o ransomware vem se aperfeiçoando, tornando-se mais perigoso e eficaz; assim sendo, continua desenvolvendo novas armas e estratégias para combater esse tipo de crime.

Às pessoas físicas e organizações, a Europol recomenda fazer backups regulares dos dados para que possam ser recuperados sem pagar resgate, garantir que o software de segurança e os sistemas operacionais estejam atualizados constantemente e o uso de autenticação multifator para ajudar a evitar que computadores sejam atacados

Às vítimas de ataques, a Europol recomenda o não pagamento de resgate e a ida ao portal No More Ransom para obtenção de ajuda, além de comunicação do fato à polícia, pois a análise de cada caso pode fornecer informações adicionais para aperfeiçoamento das ferramentas de combate a esses crimes.

Não temos notícias acerca da existência de programas como esse no Brasil, mas talvez a experiência da Europol possa nos ser útil.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.

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