O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Copilot e Gemini, já faz parte da rotina de 70% dos estudantes do Ensino Médio que acessam a Internet.
Vivaldo José Breternitz (*) e Elisabete Panssonatto Breternitz (**)
No entanto, apenas 32% afirmam ter recebido orientação formal nas escolas sobre como empregar essa tecnologia. Os dados fazem parte da 15ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta terça-feira (16) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O levantamento mostra que o uso também chega ao Ensino Fundamental (EF): 15% dos alunos dos anos iniciais e 39% dos anos finais do EF usam IA generativa em tarefas escolares. Considerando todos os estudantes de Fundamental e Médio que acessam a Internet, o índice atinge 37%. Entre eles, apenas 19% receberam algum tipo de instrução ou orientação de professores.
A pesquisa aponta ainda que os estudantes estão diversificando suas fontes de informação. Embora 74% utilizem buscadores tradicionais, como o Google, 72% recorrem a canais e aplicativos de vídeo, que já se equiparam aos mecanismos de pesquisa como ferramenta para trabalhos escolares. Para Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, o dado revela uma mudança significativa no comportamento de busca: “As plataformas de vídeo se tornaram tão relevantes quanto os buscadores, mas a adoção da IA ainda carece de mediação pedagógica estruturada”.
A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, alerta para os riscos do uso sem orientação: “Essas ferramentas podem oferecer respostas erradas e enviesadas, impactando a formação de toda uma geração. É preciso garantir mediação crítica, sobretudo diante da ausência de regulação e dos limites enfrentados pelas escolas”.
Segundo a TIC Educação 2024, 54% dos professores participaram de atividades de capacitação em tecnologias digitais no último ano. No entanto, nas redes municipais, o índice caiu de 62% em 2021 para 43% em 2024. A maioria dos cursos focou em ferramentas para produção de materiais didáticos (82%) e adaptação de atividades ao ritmo dos estudantes (79%). Já capacitações em uso crítico das mídias (68%) ou em IA aplicada à educação (59%) foram menos frequentes.
A maioria das escolas (96%) já conta com acesso à Internet, com avanços importantes em áreas rurais (de 52% em 2020 para 89% em 2024). Ainda assim, persistem desigualdades: 67% dos alunos de escolas estaduais utilizam a rede em atividades pedagógicas, contra apenas 27% nas municipais – nas escolas particulares, praticamente todos os alunos utilizam esse recurso.
O estudo também registrou mudanças no uso de celulares pessoais. O percentual de alunos que acessam a Internet na escola por meio do próprio telefone caiu de 55% em 2022 para 45% em 2024. A queda coincide com a adaptação das instituições à Lei nº 15.100, sancionada em janeiro, que restringe o uso de dispositivos móveis na educação básica.
Realizada desde 2010, a TIC Educação entrevistou, entre agosto de 2024 e março de 2025, mais de 10 mil alunos, professores, coordenadores e gestores de 1.023 escolas públicas e privadas em todo o país.
Fica claro que as escolas precisam de apoio, especialmente de organizações da sociedade civil e da academia, para que essas ferramentas sejam aplicadas de forma eficaz e segura.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected];
(**) Especialista em Língua Inglesa pela UNESP, é professora –[email protected].



