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Em discurso de despedida, Biden alerta sobre os bilionários da área de tecnologia

em Tecnologia
segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Em seu discurso de despedida, Joe Biden alertou os americanos – e por extensão a todo o mundo – sobre a ameaça à democracia representada pelos bilionários da área de tecnologia.

Vivaldo José Breternitz (*)

Biden afirmou que “uma oligarquia está se formando na América, dotada de extrema riqueza, poder e influência e que literalmente ameaça nossa democracia”, justamente no momento em que as salvaguardas contra a desinformação começam a ruir.

A mensagem de Biden lembrou as preocupações levantadas décadas atrás pelo presidente Dwight Eisenhower sobre o complexo industrial-militar; agora, segundo o ex-presidente, essa oligarquia literalmente “ameaça toda a nossa democracia, nossos direitos e liberdades básicos e a chance justa de todos prosperarem”.

O alerta de Biden surge em um momento de mudanças significativas na relação da indústria de tecnologia com a política. Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assumiu um papel sem precedentes influenciando a administração que está chegando ao poder, após supostamente gastar US$ 250 milhões para apoiar a campanha de Trump. Esse nível de envolvimento de um cidadão privado no financiamento de campanhas e na formulação de políticas subsequentes levanta preocupações em todo o espectro político.

Outros gigantes da tecnologia também fizeram movimentos que indicam apoio quase que incondicional à nova administração. A Meta, de Mark Zuckerberg, anunciou recentemente a descontinuação de seu programa de verificação de fatos em suas plataformas nos Estados Unidos, uma decisão que gerou preocupações sobre a disseminação de desinformação.

Biden abordou isso diretamente, afirmando que “os americanos estão sendo soterrados por uma avalanche de desinformação e informação enganosa que permite o abuso de poder. A imprensa livre está desmoronando. Editores estão desaparecendo. As redes sociais estão desistindo da verificação de fatos. A verdade está sendo sufocada por mentiras contadas para obter poder e lucro”.

CEOs de empresas de tecnologia, incluindo Musk, Jeff Bezos, Tim Cook, Sundar Pichai e Zuckerberg teriam feito doações substanciais ao fundo de posse de Trump, com várias empresas e indivíduos contribuindo com US$ 1 milhão cada.

Esse apoio financeiro, juntamente com visitas recentes de executivos de tecnologia ao presidente eleito, para discutir questões políticas, tem alimentado especulações sobre a provável influência dessas empresas na regulamentação da tecnologia e na aplicação de leis antitruste.

Goste-se ou não da figura de Biden e do que ele representa, suas palavras merecem profunda reflexão.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].