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E se IA tomar todos os empregos?

em Tecnologia
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

As big techs não escondem que ambicionam substituir todos os empregos por inteligência artificial, consolidando-se como peças indispensáveis da economia mundial.

Vivaldo José Breternitz (*)

Mas o que acontecerá se esse cenário realmente se concretizar? Ou elas não têm resposta, ou preferem não dizer – esse é o tema de um interessante artigo publicado pelo portal de notícias Futurism.

Falando à imprensa em dezembro passado, Geoffrey Hinton, pioneiro no campo das redes neurais, base da IA moderna e conhecido como o “padrinho da IA”, afirmou: “Está claro que muitos empregos vão desaparecer; não está claro que serão criados muitos outros para substituir os que desaparecerão”,

Hinton tem alertado repetidamente para os custos sociais do chamado “solucionismo tecnológico” em um sistema econômico guiado pelo lucro. “Esse não é um problema da IA”, disse. “É um problema do nosso sistema político. Se houver um aumento massivo de produtividade, como essa riqueza será distribuída?”.

A questão é extremamente importante, pois os investimentos em IA se tornaram parte central da economia dos Estados Unidos – e consequentemente de todo o mundo, mas permanece sem resposta por parte das corporações e dos bilionários que as comandam.

O CEO da SpaceX e da Tesla, Elon Musk, por exemplo, tem defendido uma visão em que a IA e a robótica poderiam tornar-nos todos ricos. Atualmente o homem mais rico do mundo, Musk passou os últimos tempos promovendo a ideia de uma “renda alta universal”, algo similar ao conceito de renda básica propagado pelo deputado Eduardo Suplicy; segundo Musk, trabalhadores desempregados viveriam confortavelmente graças à prosperidade de empresas privadas, como sua atribulada xAI.

Mas, como observa John Cassidy, do The New Yorker, essa abundância material para trabalhadores deslocados talvez seria possível se Musk e outros bilionários aceitassem compartilhar sua fortuna. Mas, como escreveu Martin Luther King Jr., “é um fato histórico que grupos privilegiados raramente abrem mão de seus privilégios voluntariamente”…

Sam Altman, da OpenAI, ecoou Musk ao dizer que espera que a IA traga o que chama de “riqueza extrema universal”, em que todos teriam participação acionária em empresas de inteligência artificial.

Já Mustafa Suleyman, cofundador da DeepMind e atual CEO da Microsoft AI, classificou a IA como uma “ferramenta fundamentalmente substituidora de trabalho”, justificando o impacto econômico porque, segundo ele, “em 15 ou 20 anos estaremos produzindo novo conhecimento científico e cultural a custo marginal quase zero.”

Ainda assim, é difícil imaginar esse cenário se concretizando. O Goldman Sachs prevê apenas um aumento de 7% no PIB global nos próximos dez anos devido à IA, enquanto a Universidade da Pensilvânia é ainda mais pessimista, projetando um crescimento de apenas 3,7% até 2075.

Qualquer impulso no PIB seria positivo, mas insuficiente para evitar pobreza e sofrimento em larga escala sem concessões significativas da elite bilionária. Se a promessa é séria, nunca houve momento mais oportuno para que esse pessoal coloque seu dinheiro onde estão suas palavras.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].