
O entusiasmo que leva à adoção precipitada de novas tecnologias pode gerar problemas sérios, tanto no ambiente corporativo como no nível pessoal, como mostra a recente condenação de um homem que operava um drone.
Vivaldo José Breternitz (*)
Peter Tripp Akemann, de 57 anos, foi condenado a 14 dias de prisão e 30 dias de detenção domiciliar depois que o drone recreativo que pilotava colidiu com uma aeronave que combatia um incêndio florestal em Palisades, na região de Los Angeles, em janeiro.
Além da restrição de liberdade, ele terá de pagar cerca de US$ 156 mil (aproximadamente R$ 850 mil) relativos à indenização por danos causados ao avião e multas.
O avião era um Canadair CL-415 que precisou ser retirado de operação, em uma fase crítica do combate às chamas – dependendo do ponto atingido, o avião poderia ter caído, provavelmente matando seus tripulantes.
Segundo a acusação, Akemann lançou o drone a partir de um estacionamento, guiando-o por 2,5 quilômetros em direção às chamas, quando já estavam em vigor restrições ao uso desses equipamentos em função do incêndio. No tribunal, ele afirmou que sobrevoava a região por preocupação com a casa de um amigo, mas perdeu o controle do equipamento, só tendo dado conta do que acontecera quando a notícia foi divulgada pela televisão.
Akerman acabou tendo sorte, pois recebeu a pena mínima pela operação insegura de aeronave não tripulada – poderia ter sido condenado até a um ano de prisão.
O incêndio de Palisades consumiu mais de 90 km² e deixou 12 mortos, além de destruir inúmeras propriedades.
Além da prisão e da detenção domiciliar, Akemann deverá cumprir 150 horas de serviço comunitário em apoio a operações de combate a incêndios florestais.
O fato serve de alerta àqueles que, levados pela hype, adotam tecnologias sem os devidos cuidados e preparação.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



