
A Segunda Guerra Mundial gerou grandes mudanças, especialmente na área de tecnologia, e dentre essas mudanças está transformação na forma como os pneus são fabricados.
Vivaldo José Breternitz (*)
Essa mudança começou com a escassez de borracha natural nos Estados Unidos, que forçou a busca de uma alternativa viável. Essa escassez decorreu da invasão pelo Japão, em 1942, de áreas da Ásia produtoras de borracha natural, que eram responsáveis por 90% do fornecimento aos EUA.
Preocupado com a falta de borracha para fabricação de pneus para seus veículos militares e para outros itens, o governo americano trabalhou com empresas do país para produzir borracha sintética, que foi chamada Government Rubber-Styrene (GRS). Em 1945, os EUA já produziam cerca de 70 mil toneladas de borracha sintética por mês, que também começou a ser usada em veículos comerciais ao final da guerra.
Hoje, 70% da borracha utilizada nos Estados Unidos é do tipo GRS ou de suas evoluções. Considerando que, apenas em 2022, os EUA produziram 257,6 milhões de pneus para veículos de passageiros, tem-se uma ideia do volume de produção desse tipo de borracha.
Embora a Segunda Guerra Mundial tenha impulsionado a produção americana, a Alemanha foi o primeiro país a desenvolver uma alternativa sintética para a borracha, antes mesmo da Primeira Guerra Mundial. Em 1909, o químico Fritz Hoffman, da empresa Bayer, patenteou a primeira borracha sintética.
Cientistas alemães continuaram a aprimorar a fórmula e, em 1929, a empresa IG Farben criou a Buna S, uma borracha sintética com preço comparável à natural; a IG Farben construiu a primeira fábrica de borracha sintética do mundo em 1937.
Em 1930, a IG Farben fez um acordo com a Standard Oil of New Jersey, que começou a produzi-la em suas próprias fábricas nos Estados Unidos – ironicamente, esse acordo lançou as bases para a produção americana borracha sintética durante a Segunda Guerra Mundial, usada contra os alemães.
Nos anos 1950 e a borracha sintética tornou-se um padrão, com mais de 200 tipos diferentes em circulação, a ponto de hoje cerca de 60% de toda a borracha usada na fabricação de pneus ser sintética.
A Segunda Guerra Mundial foi o conflito mais mortal da história da humanidade. O número exato de mortos é difícil de determinar, mas as estimativas mais aceitas apontam para um total de 70 a 85 milhões de pessoas.
No entanto, essa tragédia gerou produtos que hoje são usados em todo mundo: além da borracha sintética, o conflito trouxe os jatos, a penicilina e os antibióticos, o forno de micro-ondas e até mesmo os M&M…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].
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