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Collins escolhe “vibe coding” como a expressão do ano

em Tecnologia
segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O dicionário online Collins English contém cerca de 750 mil palavras, tendo até 2018 publicado edições em papel.

Vivaldo José Breternitz (*)

Sua editora mantém o Collins Corpus, um banco de dados linguístico com mais de 4,5 bilhões de palavras em diversos idiomas, extraídas de jornais, revistas, rádio, TV, redes sociais etc.

Seus linguistas e lexicógrafos analisam constantemente o Corpus para detectar novas palavras e expressões cuja frequência cresceu rapidamente e novos significados para aquelas já existentes. Com base nessa análise, criam uma lista de 10 a 12 termos que capturam o “espírito do ano” e a partir da qual a equipe editorial escolhe a expressão do ano, que é divulgada em novembro.

Neste ano, foi escolhida a expressão “vibe coding”, uma expressão da área de TI cujo uso disparou desde fevereiro, quando o termo surgiu, cunhado por Andrej Karpathy, ex-diretor de IA da Tesla e fundador da OpenAI, e que descreve como a inteligência artificial permite que uma pessoa crie um aplicativo com pouco ou nenhum conhecimento de programação.

Entre os outros termos, ainda da área de tecnologia da informação, foi escolhido “clanker” expressão depreciativa para se referir a computadores, robôs ou sistemas de inteligência artificial, originária da série “Star Wars: The Clone Wars” e difundida recentemente pelas redes sociais como expressão de frustração e desconfiança em relação a essas tecnologias.

Já do ambiente corporativo, foram escolhidas diversas expressões, como “glaze”, usada para indicar o ato de elogiar ou bajular alguém de forma exagerada ou imerecida, “taskmasking”, prática de fingir produtividade e “micro-retirement”, uma pausa temporária entre empregos para se dedicar a interesses pessoais.

Dentre outros termos constantes da lista estão “biohacking”, a prática de modificar processos naturais do corpo humano com o objetivo de melhorar a saúde e prolongar a vida, “aura farming”, à criação deliberada de uma autoimagem carismática e estilosa -essencialmente “a arte de parecer interessante”, “henry” – sigla para high earner, not rich yet (“profissional de alta renda, mas ainda não rico”) e “coolcation” – férias em destinos de clima frio, tendência oposta ao turismo de verão.

Falando sobre “vibe coding”, o diretor-geral do Collins, Alex Beecroft, afirmou que a escolha da expressão “captura perfeitamente a maneira como a linguagem evolui junto com a tecnologia”, pois o termo representa “uma grande mudança no desenvolvimento de software, tornando a programação mais acessível” e evidencia “a integração entre criatividade humana e inteligência de máquina, que está transformando a forma como interagimos com os computadores”.

As expressões escolhidas nos trazem uma interessante visão de como a linguagem e as posturas evoluem ao longo do tempo.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].